Aos 35 anos, ele achava que ainda era um garoto de 17. Passa o tempo livre nos games, bebe como se o fígado fosse de titânio, dirige inconsequentemente o carro, paquera compulsivamente para garantir a massagem no ego. Achava eu que meu amigo era um caso perdido.
Repentinamente a vida veio a lhe comunicar o óbvio: o tempo passou. Reagiu muito mal à descoberta. Ficou zangado, negou a realidade, debateu-se. Inevitável! O tempo passa e você se adapta.
O cabelo caiu, as linhas no rosto estão fixas e irredutíveis, o corpo reclama descanso.
Ele viveu distraído a última década. Não percebeu as mudanças. Agora sofre.
Pergunta-se onde foi parar o garoto que sorria no espelho todas as manhãs. Onde esteve este tempo todo?
Aconteceu com meu amigo. Há de se prestar atenção no Tempo, este senhor genioso que não espera por ninguém.
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