De repente você se pega sentindo falta daquela pessoa. Depois de um bom tempo! Um tempo que, dizem por aí, é suficiente para esquecer.
De repente a ausência fica grande. Quase gigante a te devorar!
Eu sinto ausência. Todos os dias e a cada dia mais. Eu não disse o quanto sentia, nem o que me cabia na desculpa. Eu disse o amargo, o que era fardo. Nem era o que realmente ia em mim.
Gostava de falar, de ter assunto, ainda que inútil, mas sempre tinha o que se dizer.
Sinto saudade. Sinto o que achei que fosse fácil sobrepor. Não deveria sentir, dizem por aí. Mas, dizem muitas coisas por aí, e meu coração eu nunca ouvi.
Não tenho voz. Eu tenho saudade. Talvez daquela afinidade, da vontade, da amizade. Eu sinto a falta. Nenhuma correspondência. Não é para mim como tem sido para o outro lado. Por enquanto, apenas ausência.
|| Colecionando Nuvens ||
sábado, 12 de maio de 2012
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Todas somos um pouco Dorothy
Eu já fui a garotinha brincando, de pés descalços na rua. Eu já tomei banhos de chuva. Fui travessa, marota... garota.
Um dia encontrei uma certa mulher. Tinha um olhar cortante que desafiava sem nada dizer. Cabeça erguida sustentada por ombros muito decididos. Ela sabia, simplesmente sabia-me.
Tive medo dela. Às vezes, apenas medo.
E a brincadeira parou. A rua ficou vazia. Então eu pude ver.
No início era sombra, borrão de imagem, confusão talvez.
Mas ela veio até mim. E, no espelho, entendi. Não era ela, era eu ali.
De repente, fiquei apenas lembrança de mim. Foi-se a menina. Ficou a mulher.
sábado, 17 de março de 2012
As folhas de outono
Eu coleciono estações. Mas minha predileta é o outono. É sempre outono quando minha vida muda de direção. É sempre uma coincidência, mas deixe-me pensar que é por causa da estação.
Minhas lembranças caem ao chão, feito folhas do alto da árvore que amarela. São lembranças amareladas também. Efeito do tempo. Eu sou um pouco árvore, eu acho.
Acontece um outono em mim fora de época. Mas nunca o verão.
Sou de março. Meio Marte. Sou metade.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Revoltados de Pijama
Lá vem a turma da revolta de pijama. A Marcha da Sonolência. Eles chegam primeiro na segunda-feira e são os últimos a sair da semana, não sem antes reclamar ao infinito e além. Tudo bem que a reclamação é, até certo ponto, salutar. Todo ser humano precisa externar. Ninguém vive 24h na vibe sussa.
O problema é que tem uma galera que reclama de tudo, mas de tudo mesmo! Não gosta quando chove, mas reclama do sol também. Não gosta de sertanejo universitário e acha que quem ouve isso tem que morrer, mas está bem feliz em casa ouvindo um pagodão, justamente o pagodão que criou a maioria das músicas que gerou essa moda sertanejo-grudentinha.
Esse pessoal também odeia a política. Falou em política é como chamar o Diabo para jantar. Já acha que fazer fogueira com a Capital Federal seria mais útil ao país do que tentar, ao menos, lembrar o nome do candidato a quem deu seu voto na última eleição. Aliás, sujeito vota nulo achando que vai ter a alma levada para o paraíso onde o esperam 77 virgens só de baby doll.
Mas o movimento é organizado. Tem método simplificado e objetivo: matar e perguntar depois. A ideologia é básica, com muitos jargões e quase nenhuma argumentação. Toda a ideologia parece basear-se nos tratados intergalácticos “Se há fumaça, há fogo” e “Olho por olho, dente por dente”.
Os revoltados de pijama são extremamente ativos. Eles saem às ruas imaginárias fazer protestos para o nada. São ágeis na arte da digitação rápida e com o maior número possível de erros ortográficos. O importante não é escrever corretamente, é atacar. Mestres em dar socos no ar. Autodidatas na linguagem do esculacho. Em outras palavras, apenas chatos virtuais.
Conhecer para entender e depois falar com o objetivo de transformar.
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Onde estão as mulheres?
Onde foram parar as mulheres de verdade? Perdidas em meio a frases de Clarice Lispector? Ouvindo Adele até esgotar os ouvidos? Reclamando sem fim dos homens que não conquistaram?
Pagando de princesas adocicadas em seus vestidos tão curtos que se pode ver até a alma por eles. Bebendo a tequila pura e proferindo palavrões, mas jurando ser santa. Confundindo sexo com amor e, por vezes, sem saber o que é amor e sem saborear o sexo.
Critico o meu próprio gênero. Ser mulher nunca é fácil. Mas tudo fica mais difícil quando tantas de nós continuam em si mesmas perdidas.
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