Final de semana fui à Capital para matar o tempo e visitar amigos. Foi tudo muito divertido, tirando dois momentos: a ida e a volta.
Viajar em ônibus lotado no inverno é tão massacrante quanto viajar em ônibus lotado no verão. Primeiro problema, a Lei de Murphy. Quanto mais eu rezo para que seja um carinha lindo e simpático que sente ao meu lado, aí sim é que senta alguém com cheiro duvidoso, cheio de sacolas de plástico e, na pior das vezes, puxando assunto.
Então, a criatura resolve dormir, o que até me deixaria aliviada não fossem as baforadas em minha direção, o ronco de motosserra e a incrível capacidade de ocupar o meu espaço sem mostrar constrangimento algum.
A volta não foi diferente. Incluindo a demência de alguns que insistem em comer Pingo D'Ouro dentro de um ônibus lotado, em que não se pode abrir as janelas e a calefação atingia níveis da atmosfera do Sol.
E como tudo que já está ruim, tende a piorar. Comprei a última passagem do dia, com direito a sentar na poltrona ao lado do banheiro. Claro que a porta do banheiro não estava funcionando e o cheiro de pinho com urina já me fazia ter alucinações.
E está comprovado que balanço de ônibus na estrada e pessoa sonolenta indo ao banheiro resultam em mais um motivo para eu desejar ter ido caminhando de Porto Alegre a Ijuí.
Coisa que não entendo é a instantânea necessidade dos seres puxarem da bolsa o frango enfarofado quando o ônibus sequer deixou a rodoviária.
Enfim, essas viagens de ônibus são um teste de paciência e resignação. Mas, da próxima vez, gostaria de ir no bagageiro, afinal, mala por mala prefiro as que não se mexem, não respiram e não se alimentam.
terça-feira, 27 de julho de 2010
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Tempos melhores!
Hoje vi o carteiro se aproximando e um sentimento de nostalgia bateu em mim. Já sabia que ele trazia em mãos apenas contas a pagar, propaganda de todo tipo e coisas assim, escritas por uma máquina, sem vida, sem emoção.
Lembrei tanto de como meu coração disparava quando via o carteiro chegar na minha rua. Ficava na janela cuidando para ver se ele tinha alguma carta a me entregar. E que sensacional era ver aquele homem atravessar a rua e vir deixar a correspondência.
Falo de um tempo que nem é tão distante. As mudanças acontecem tão rápido. Quem lembraria da última carta que recebeu? Eu não lembro nem do último scrap que deixei na página de alguém na internet.
Eu abria as cartas com tanto carinho e cuidado. Degustava as palavras sem pressa. Uma carta de amizade, de amor, de saudade, de preocupação, de boas-novas, etc. Havia tanto a se dizer em uma carta, desde as palavras até o tipo de papel, a cor da tinta da caneta, e as confissões desenhadas no cantinho da página.
Não acho que tudo mudou para melhor. Estamos cada vez mais automáticos. Mais máquina e menos humano.
Assim, "venho por meio desta dizer..."
Lembrei tanto de como meu coração disparava quando via o carteiro chegar na minha rua. Ficava na janela cuidando para ver se ele tinha alguma carta a me entregar. E que sensacional era ver aquele homem atravessar a rua e vir deixar a correspondência.
Falo de um tempo que nem é tão distante. As mudanças acontecem tão rápido. Quem lembraria da última carta que recebeu? Eu não lembro nem do último scrap que deixei na página de alguém na internet.
Eu abria as cartas com tanto carinho e cuidado. Degustava as palavras sem pressa. Uma carta de amizade, de amor, de saudade, de preocupação, de boas-novas, etc. Havia tanto a se dizer em uma carta, desde as palavras até o tipo de papel, a cor da tinta da caneta, e as confissões desenhadas no cantinho da página.
Não acho que tudo mudou para melhor. Estamos cada vez mais automáticos. Mais máquina e menos humano.
Assim, "venho por meio desta dizer..."
terça-feira, 20 de julho de 2010
10 razões para você não gostar de mim.
De tanto ver a auto-propaganda por aí, fiquei tentada a ir na contramão de tudo.
Você se esforça tanto para causar boa impressão que acaba virando uma farsa. Não poupa adjetivos para exaltar as próprias qualidades, chegando a deixar o dicionário envergonhado por não acompanhar essa necessidade de elogios.
Engraçado que a pessoa vai adaptando a personalidade de modo que te satisfaça. E admito que é mais fácil agir assim do que deixar à vista o rol de defeitinhos e manias.
Aproveitei então a ociosidade que me rondava e divaguei sobre o assunto, chegando aos meus 10 defeitos principais que talvez você deva levar em consideração:
1) Teimosa (teimoso é quem teima comigo);
2) Prepotente (sempre dando passos maiores que as pernas);
3) Briguenta (só pelas causas que me parecem nobres);
4) Volúvel (adoro mudar de ideia);
5) Compulsiva (por comprar maquiagem e roupa);
6) Desorganizada (a vida pessoal, não as coisas materiais);
7) Desconfiada (gato escaldado tem medo de água fria);
8) Orgulhosa (se estou certa, estou certa e pronto);
9) Indisciplinada (vivo matando os treinos na academia);
10) --------------- (deixo esse para livre escolha).
Mas que bom ser essa loucura que é ser humano!
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Você não é se você não quer!
Definitivamente entrei nessa onda de pensar que sou o "gás da coca-cola". Tem gente por aí tentando enganar a si mesmo, pois enganar os outros seria impossível. Desculpa a você que se acha a cara daquela atriz da novela da Globo, ou cantora famosa. Mas é impossível resistir e resolvi tirar onda desse jeito "me-acho" de ser.
Entre os avatares da vida real que perambulam por aí, tem quem pensa que é, mas pensa tanto que resolveu acreditar nisso. O que aconteceu? Surto coletivo? E para provar que sou "maria-vai-com-as-outras" criei minha versão iludida de mim mesma.
Perdão pela infame ousadia, mas Gisele há de entender e perdoar.
No mais, quem não consegue melhorar a si mesmo, tem que copiar.
Entre os avatares da vida real que perambulam por aí, tem quem pensa que é, mas pensa tanto que resolveu acreditar nisso. O que aconteceu? Surto coletivo? E para provar que sou "maria-vai-com-as-outras" criei minha versão iludida de mim mesma.
Perdão pela infame ousadia, mas Gisele há de entender e perdoar.
No mais, quem não consegue melhorar a si mesmo, tem que copiar.
Vermelho paixão!
Este é meu sonho de consumo. Já imagino eu e meu Maverick rodando pelas ruas. Quem disse que mulher não entende de carro?!
domingo, 18 de julho de 2010
Andanças
Acho que já estava em mim desde muito cedo. Diria que nasci com essa mania meio cigana de levantar acampamento e ir embora. Desde criança vivi nesse ritmo de mudar de cidade constantemente em razão do trabalho do meu pai.
Nunca rotina. A vida na escola era empolgante. Todo ano tinha uma missão: fazer novos amigos. Aprendi a me adaptar rápido a novos ambientes. Estudei quase sempre em escola pública. Minhas dificuldades eram maiores que dos meus colegas. Um ano em uma escola, no outro ano mudava e tinha que estudar no ritmo de todo mundo que já estava lá há tempos.
Quando saímos do Sul tive um choque cultural e de costumes. Conheci alguns povos indígenas, o que eu chamo de índio de verdade, e não aqueles que eu só conhecia por livros de história e filmes. Vi o que é essa tal desigualdade social de que tanto se fala e pouco se faz para mudar. Entendi como funciona o clima nesse país tão vasto. As aulas de geografia passaram a fazer mais sentido.
Depois que meu pai se aposentou, o velho hábito de mudar permaneceu. Às vezes acordava com uma vontade de morar em outro lugar e levantava acampamento mais uma vez. Mudava de emprego conforme a lua. Mudava o cabelo, o gosto pelas músicas, o prato preferido, enfim, mudava simplesmente.
Foi num dia comum que decidi mudar esse hábito também. Larguei mais um emprego, coloquei tudo na mala e voltei para Ijuí. Depois de tantos anos, queria criar raízes.
Meu plano era simples: arrumaria um emprego, um marido e compraria uma casa.
Arrumei o emprego mais estável possível. Marido? Tive alguns ensaios mas não nunca é o certo. E a casa ainda não comprei. E descobri que tenho evitado isto com muito empenho. Na minha cabeça, se compro uma casa, então me prendo a ela. É aquela veia cigana que fala mais alto e que ainda quer me arrastar mundo afora para testar o desconhecido.
Ainda não encontrei um chão para chamar de meu. Não pertenço a lugar algum. Viver solta assim é minha sina.
Nunca rotina. A vida na escola era empolgante. Todo ano tinha uma missão: fazer novos amigos. Aprendi a me adaptar rápido a novos ambientes. Estudei quase sempre em escola pública. Minhas dificuldades eram maiores que dos meus colegas. Um ano em uma escola, no outro ano mudava e tinha que estudar no ritmo de todo mundo que já estava lá há tempos.
Quando saímos do Sul tive um choque cultural e de costumes. Conheci alguns povos indígenas, o que eu chamo de índio de verdade, e não aqueles que eu só conhecia por livros de história e filmes. Vi o que é essa tal desigualdade social de que tanto se fala e pouco se faz para mudar. Entendi como funciona o clima nesse país tão vasto. As aulas de geografia passaram a fazer mais sentido.
Depois que meu pai se aposentou, o velho hábito de mudar permaneceu. Às vezes acordava com uma vontade de morar em outro lugar e levantava acampamento mais uma vez. Mudava de emprego conforme a lua. Mudava o cabelo, o gosto pelas músicas, o prato preferido, enfim, mudava simplesmente.
Foi num dia comum que decidi mudar esse hábito também. Larguei mais um emprego, coloquei tudo na mala e voltei para Ijuí. Depois de tantos anos, queria criar raízes.
Meu plano era simples: arrumaria um emprego, um marido e compraria uma casa.
Arrumei o emprego mais estável possível. Marido? Tive alguns ensaios mas não nunca é o certo. E a casa ainda não comprei. E descobri que tenho evitado isto com muito empenho. Na minha cabeça, se compro uma casa, então me prendo a ela. É aquela veia cigana que fala mais alto e que ainda quer me arrastar mundo afora para testar o desconhecido.
Ainda não encontrei um chão para chamar de meu. Não pertenço a lugar algum. Viver solta assim é minha sina.
sábado, 17 de julho de 2010
Viajar é preciso!
Meu combustível é a estrada e meu carro é uma extensão minha. Se estou triste, ansiosa, ou qualquer outro sentimento inquietante, só consigo pensar em viajar. Minha mala está sempre pronta sorrindo para mim no alto do armário.
Tenho lembranças das mais felizes no último verão. Estrada, estrada, estrada. Atravessando sozinha o estado, rumo à Floripa, meu elixir de tranquilidade.
E que alegria é estar com minhas amigas. Sempre é festa, mesmo que seja num domingo de chuva, reunidas em cima da cama e divagando sobre as dores de amor.
Ah, os amores!
Pego a estrada para ter um momento incrível com quem amo. Pego a estrada para esquecer quem já não é amor. Chegar não é importante. Enquanto estou em movimento, vou avaliando tudo. Descubro erros e acertos fantásticos. Como naquele último carnaval... tivesse feito tudo diferente, talvez, mas apenas talvez, fosse diferente.
Mais adiante no tempo, curei mágoas na estrada outra vez. Me refiz numa viagem à Rivera. Amigas rindo juntas, fazendo compras juntas, descobrindo coisas juntas. Cada uma deixou sua parte de problemas em casa.
Por tudo isto, fico inquieta esperando a próxima chance de partir. Ansiosa pelas próximas aventuras. Pelos próximos amores. Afinal, vida é movimento e viajar é preciso.
Tenho lembranças das mais felizes no último verão. Estrada, estrada, estrada. Atravessando sozinha o estado, rumo à Floripa, meu elixir de tranquilidade.
E que alegria é estar com minhas amigas. Sempre é festa, mesmo que seja num domingo de chuva, reunidas em cima da cama e divagando sobre as dores de amor.
Ah, os amores!
Pego a estrada para ter um momento incrível com quem amo. Pego a estrada para esquecer quem já não é amor. Chegar não é importante. Enquanto estou em movimento, vou avaliando tudo. Descubro erros e acertos fantásticos. Como naquele último carnaval... tivesse feito tudo diferente, talvez, mas apenas talvez, fosse diferente.
Mais adiante no tempo, curei mágoas na estrada outra vez. Me refiz numa viagem à Rivera. Amigas rindo juntas, fazendo compras juntas, descobrindo coisas juntas. Cada uma deixou sua parte de problemas em casa.
Por tudo isto, fico inquieta esperando a próxima chance de partir. Ansiosa pelas próximas aventuras. Pelos próximos amores. Afinal, vida é movimento e viajar é preciso.
Colecionando Nuvens
Hoje estreia este espaço, simples, mas autêntico. Quero dividir meus pensamentos que já nem cabem mais em mim mesma. Afinal, é um mundo muito grande para permanecermos isolados em si.
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