quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Um GPS para a vida.

Alguém se aproxima para mostrar a última aquisição: um celular com zilhões de funções, com acesso a todas as redes sociais, sensor de localização de pessoas, cartão de memória de trocentos gigas, câmera com resolução de telescópio Hubbe e até um GPS.
Ok, faço aquela cara de paisagem e emito um murcho "que interessante!". A pessoa se afasta para mostrar a um outro alguém que ficou muito curioso e fez várias perguntas do tipo quero-um-igual. E é apenas um pedaço de plático.
Onde está a vida nisto tudo? Você conhece as pessoas através de máquinas, você se comunica através de máquinas, você tem suas emoções transformadas em bits. E quando é olho no olho, com direito a contato físico, corpo falando, voz deixando pistas, o sujeito se perde.
Fica sem o amparo, sente-se sem um braço ou perna, já não sabe como agir. Acha que seu charme fica melhor definino em emoticons. Pane no sistema. Tem vontade de reiniciar. Procura a tecla "delete" para a piada boba que contou. O olhar direto de quem está a sua frente lhe incomoda e o deixa mareado. Coloca o cardápio em frente ao rosto e simula sua tela de 15". Melhor assim, ele pensa. Tudo acaba e pode voltar ao seu mundo perfeito da virtualidade.
Saindo da minha divagação, ainda noto os dois conversando sobre aquele pedaço de plástico falante. Absorvidos pelo assunto, não deixaram espaço para a moça sozinha ali perto ser notada. Ela se esforça, mas passa etérea pelos dois e segue com sua vida para lá de real.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Para ser feliz

Foto: by post Maninha site Vila Mulher
 
Insistir e persistir. Não desistir. Quem é que não está nesta vida apenas para buscar a felicidade?
Não importa do que ela é feita, se de matéria ou de sensações. É o santo graal da existência.
O caminho que se toma e a própria jornada, tem vezes que nem parece valer a pena.
E por mais que você jure que vai deixar de lado a busca, nunca vi ninguém abandonar a jornada.
Você pode ter medo ou estar sozinho, mas ainda estará lá, emaranhada nas ideias, a vontade de ser feliz.
Seja como for, estamos todos errados nesta caçada.Somos crianças tentando segurar fumaça com as mãos. Felicidade é estar. É moça volúvel que às vezes te namora. Às vezes, vai embora sem aviso. Mas ela voltará, cedo ou tarde, aos braços de quem sabe seu valor.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Das condições...

Quando você quer mais.
Quando você esgota.
Quando você esvai.
Quando você define.
É quando eu quero.
É quando eu desejo.
É quando eu percebo.
É quando eu sinto,
Não tem medida.
Não tem distância.
Não tem acaso.
Não tem impossível.
Tudo o que quero é você.
Tudo o que desejo é você.
Tudo o que penso é você.
Mas...

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

No templo da mesmice

Abro o link e chove aquele texto sonso na minha tela. Um amontoado de palavras repetidas e tudo o que me causa é tédio. Era mais como um dedo na cara de alguém que provavelmente nem sabe que incomoda tanto assim.
Percorro atualizações deste mundo virtual em todos os recantos que me faço presente. Alguém indica uma música para dizer que é descolado e outro cita um autor arcaico por total falta do que dizer. Que necessidade é esta de ser notável?
Tragam-me o novo. Eu não estou interessada em pessoas e suas rotinas, eu quero acontecimentos. Vamos ao que faz a diferença.
E tem aquele outro lugar que você jorra seus pensamentos em forma de caracteres. Então vem o chato e te desfere uma crítica, como se ele fosse o representante universal da verdade absoluta.
Que benção o poder de deletar frases, opiniões e pessoas. Tudo que incomoda desaparece. Reina a paz. Breve, mas resistente.
Toca o telefone e o mundo real te suga de volta à vida de verdade, onde a opção de deletar é só uma vontade que esbarra na educação, por vezes na covardia.
Ok, quando tudo ficar trivial sempre há a fuga para o mundo dos bits.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Da falta que faz...

Tenho pensado sobre a saudade. O que ela faz por mim? Me deixa um espaço completamente vazio, impossível de preencher.
Caminho pela casa inutilmente, dando voltas em meus pensamentos e nada acontece. Só há saudade aqui.
É uma prisão sem grilhões, sem grades. Dói mais por que estou livre. Eu poderia ir aonde quisesse, fazer tudo que desse vontade, ou nem fazer nada.
Permaneço no vazio. Faz falta. Ouço uma música e recordo. Leio uma frase de outdoor e recordo. Um gesto de alguém passando na rua e tudo me recorda outro alguém.
Quem disse que saudade pode ser boa, nunca sentiu saudade, apenas virou a página e esqueceu.
Também penso em esquecer, também quero abandonar e voltar ao momento anterior deste pesar. Mas o que me deixa com saudade é mais forte, me faz melhor e leva ao céu.
Se a saudade é condição, aceito os termos e sigo no anseio de um dia apenas esquecer que ela existiu.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O último sonho

Na cadeira de balanço ele lembrou da infância.
A brincadeira ainda é a mesma, mas perdeu a graça.
Embala o corpo, deixa o pêndulo da vida agir.
Lembra de nomes que não dizem nada.
A memória brota e jaz imediatamente.
O sentimento também envelhece.
Já ouve fome de conquistar o mundo.
Agora não há mais o que saborear.
Tem no peito um coração enrugado.
Caem as pálpebras como cai a noite.
Sonhos de criança no balanço.
E nunca mais acordar...