segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

A sentimental

Lá vem mais um final de ano nos fazendo repensar a vida. É tão massante! Essa auto crítica que vem em peso com tempo limitado. Chega logo, ano novo!
Eu quero vestir aquela roupa nova da coragem, usar sapatinhos de cristal e deixar os cabelos soltos ao vento. Que venha uma página em branco pronta para outra história. Nem prometo que irei errar menos. Nem prometo que farei diferente. Eu acho mesmo é que vou cometer a mesma loucura de formas diferentes.
Vou comer das uvas da sorte. Pular 7 ondas do futuro. Brindar ao tempo, enquanto ele ainda há.
Traga-me mais abraços, mais doçura em dias que serão amargos. Que eu seja presente e que o passado seja apenas um calendário rabiscado.
Tem mais do céu na minha estrada. Caminharei nas estrelas e serei um tanto melhor. E eu não espero mais por você. Eu prossigo.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Um pouco mais do mesmo

Súbita euforia relativa. Euforia crítica em estado de combustão. Quase insólita. Talvez insólita.
Da noite ao dia, tanta bondade. Vem feito carinho embalado em abraços. É passageiro, eu sei.

Comemoração embriagada cambaleante. Palhaçadas sem riso. Sorriso sem vontade. Te presenteio por obrigação. Agradeça-me por educação. Convivência conivente. Tudo aceitável na noite de Natal.

Tudo está por um fio e ninguém dança enquanto a música prossegue. Coreografias de maxilares à mesa. Tão bonito e iluminado! Nunca saberei se desta vez é verdadeiro ou, apenas, um pouco mais do mesmo.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Mulher Solteira Procura

O filme é antigo. Lembro de ter assistido algumas vezes e, em todas, senti aquele pavor que a personagem principal vive na trama.
Eu estou ali, distraída nos meus problemas e nas decisões de cada dia. Não noto que, por um pequeno vão, alguém se esgueira pelos cantos escuros. Me espreita, me estuda.
Sutilmente, quase imperceptível, mas eficaz. Veneno com muito açúcar para me iludir.
Nego a suspeita. Prossegue a invasão.
Com uma pretensa fidelidade canina, avança. Faz uso do espaço concedido em minha vida para cavar trincheiras. Cerca-me nos meus domínios.
Veste-se de cordeiro para conquistar amigos. Traça a emboscada. Mas sou eu quem atira.
A vida e o filme.


*Mulher Solteira Procura (Single White Female - 1992) - Briget Fonda e Jennifer Jason Leigh

domingo, 11 de dezembro de 2011

Pequena Intervenção

Quanto vale a dignidade? A minha vale mais do que um bom e disputado emprego. Vale mais que as pequenas esmolas de vantagens oferecidas. Pelo menos a minha, vale mais do que a própria vaidade.
E mantenho-me digna por não aceitar as condições de quem é insatisfeito comigo. Não há termos de aceitação.
Passarei a usar este blog para um fim diferente do que o deu início. Deixo de lado os devaneios e abro espaço para minhas opiniões.
Afiada, contundente, ácida. Houve tempo de permanecer em silêncio. Chega o tempo de fazer barulho, sem poupar ninguém.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Do Armagedon...

Nada está firme neste chão. Nada está estagnado no ar. Apenas nossa cegueira e falta de tato permanece imóvel.
Somos bípedes pensantes de cérebros geniais. Temos o dom da criação e da destruição ao mesmo tempo. Rodin esculpiu visões desfazendo a pedra alva e antiga. A Terra que nos julgue e condene por roubar o direito sobre as coisas.
A água que bebo não é minha. Minhas plantas do jardim não me pertencem. Posso movimentar a areia do deserto e, ainda assim, nenhum grão será meu. O que faço neste planeta é obsceno. Nenhuma geração desta espécie é superior ao pó que há no caminho.
O que podemos fazer não nos torna dignos de herdar. De nós, nada restará. Tudo voltará a ser poeira.

sábado, 22 de outubro de 2011

À espera

Depois de duas cervejas que encontrei na geladeira, mudei os canais na tv mais por instinto do que por vontade. Deixei o quarto à meia luz e preparei a mente para relaxar. Foi quando detive-me em um canal de filmes antigos onde passava Kramer Vs. Kramer, filme que eu sempre gostei.
O drama do filme sempre me comoveu. Basicamente o desespero é o que circula pela história. Desespero pela manutenção do amor, a permanência do amor. Foi a primeira vez que pensei naquela história e me vi. Quando se é muito jovem, a visão que temos de amor é de Romeu e Julieta. O amor não é o que sempre vence, mas é o que faz tudo se mover.
Amor de família, amor de casal, amor de amigos, amor de coisas, até amor de momentos. Quem não vive o amor, não vive.
Sempre fui longe no que me causava entusiasmo. Como espremer limões, tirando todo o sumo possível da fruta. Alguns podem me chamar de impulsiva. E já ouvi até quem dissesse que me admirava por isto. A mim não interessa o rótulo, o efeito que causa nos outros. Esta sou eu vivendo, apenas.
E como os Kramer, em luta pelo filho no filme, eu me desespero. Se eu amo, eu quero poder dizer, eu quero estar, eu quero viver o que amo.
Que ninguém me condene por querer tudo agora. Pois o agora é o que estou sentindo. Então, que ninguém me peça para esperar. Por que sentimento só deixa sabor doce de lembrança se for bem vivido.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Maratona

O convite era simples e de resposta fácil: sim ou não. Mas da pergunta à resposta, percorri uma longa distância. Parti devagar para manter o folêgo já sabendo que não seria fácil.
Aquela teoria de que a menor distância entre dois pontos é uma reta só não vale para pessoas. Pessoas complicam tudo. E quanto mais racionais alegam ser, mais difícil é chegar a um bom resultado. A racionalidade cai bem nas máquinas. Às pessoas, cabe a intuição. É onde o "feeling" age que tudo se encaixa bem.
Mas fui em frente, guiada pelo instinto. Quando avistava a chegada, eis que surgiam curvas, desvios que superei respirando fundo. Por algumas vezes quis desistir, aceitar o não. Mas a certeza de que o sim seria o melhor, prossegui. Gastei o latim em argumentos que nem eu mesma entendi.
Enfim, venci a maratona! Cheguei cansada, emocionalmente retalhada mas, cheguei. E agora, olhando de novo para o percurso feito, percebo que o ponto de largada e o ponto de chegada estavam a um passo um do outro.
No mais, pessoas são assim.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Uma fogueira para as vaidades

Quanta vale uma opinião? Nada. Ou tudo. É sempre o outro que confere valor.
Dia destes externei o que pensava, algo como o comentário do comentário. Simples assim, como se faz a todo momento pelas tantas redes sociais. Fui recebida pela hostilidade. Bem feito para mim. Antigamente, era educado opinar se solicitado ou, ao menos, subentendido isso.
Mas, se por um lado, o mundo virtual abriu possibilidades de interagir, trouxe consigo a velha lei "para toda ação haverá uma reação".
Estava elaborando o contra-ataque quando me deparei com a desnecessidade da revolta. Não estava eu apenas reagindo a uma opinião anterior? E agora indignada com a reação da reação.
Mas afinal, aí mora a interação. E ela não é feita apenas de troca de informações combinantes. Mas é na diferença que se cresce. Uma outra visão do mesmo objeto que pode mudar minha atitude.
Percebi a banalidade que sobrecai nos debates. Seja a respeito da cor de roupa que devo usar até a quem devo destinar meu voto.
Eu não preciso ter opinião sobre tudo. Não é toda opinião que precisa ser externada. E, na maioria das vezes, eu realmente não me interesso pelo que o outro pensa sobre o que eu penso.
Retiro-me solenemente desta batalha virtual em que não há vencedor. Apenas egos degladiando-se por audiência. Quero um pouco mais da boa e velha educação. Avance comigo à medida que eu avançar, e vice-versa. Não precisamos concordar em tudo, apenas respeitar nossos pontos de vista.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Urgências

Era apenas mais uma segunda-feira, com tudo igual a que se tem direito.
Mas já começou tudo torto. Saí atrapalhada do sono tranquilo para chegar atrasada ao trabalho.
Pula a parte do café da manhã, pula a parte de me espreguiçar antes de ligar o computador, pula a parte de abrir a janela e dar oi aos pombos na árvore em frente.
Corre relógio e eu tentando alcançar.
Alguém quer conversar ao telefone e eu apenas digo: estou sem tempo. Alguém quer contar algo engraçado pelo MSN e eu mudo o status para "ocupado". Tão logo termino uma montanha de papel na mesa e outra surge imediatamente, reproduzem-se para meu desespero.
Ligo para casa, ninguém atende. Quero pedir uma carona mas todos no trabalho já foram embora. Eu nem noto o corredor escuro.
Por onde ando quando não estou comigo?
Cruzo ruas e semáforos em qualquer cor. Preciso fazer coisas importantes, dessas coisas que não farão nenhuma diferença na vida, mas naquele momento sim.
Peregrino na pressa. Tudo urge. Os minutos são flechas em minha direção. Eu corro.
Talvez eu apenas fuja. E fico assim, em lugar seguro escondida de mim.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Do Universo

Jamais tive interesse pelos números e dúvidas que levaram Einstein ao status de gênio. Mas entendo perfeitamente isto de espaço-tempo relativo.
Na maior parte do tempo esqueço de olhar para as estrelas. Mas, aqui embaixo, onde há gravidade e toda ação tem uma reação, compreendo o que aquele cara de cabelo maluco tentou explicar.
Meu universo tem o tamanho que eu imagino. O universo do vizinho também. E, algumas vezes, entram em colisão.
Crio planetas por conveniência e deixo que orbitem em torno de mim. Por vezes, sou mero satélite necessitando da luz de alguém. Nunca sei de onde surgem os meteoros que me atingem mas rebato-os para viver.
Faço guerra galáctica com seres estranhos para mim. Meu espaço é elástico, movimenta-se por vontades e sonhos. E o tempo é conceito casual. Minhas horas passam rápidas ou lentamente de acordo com meu humor.
Somos universo inteiro e poeira cósmica ao mesmo tempo. Tão grandes em prepotência e pequenos em humildade. Mas, simplesmente somos.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Enquanto você fala comigo...

Tem palavra que devora.
Rasga minha roupa.
Dilacera num segundo.
Parece instinto e só isso.
Mas a boca pronuncia.
Tudo em volta inflama.
Diga-me outra coisa.
Palavração...
Machuque-me, enfim.
Fonemas selvagens livres.
Palavras famintas de vítimas.
E eu respiro em suas pausas.
Aguardo o ponto final.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Do pecado

Há música lá fora, barulho em algum beco sujo. O quarto é quente e a cama é fria.
A noite reclama o proibido e ela sussurra um nome como quem reza.
O corpo ganancioso deseja. Transpira o tempo pelo relógio.
No corredor, passos impacientes. Ele vem.
A boca está faminta daquele hálito. Braços nervosos se prendem.
Dançarinos furiosos sem encontram. Estrelas se jogam do céu.
Enquanto o pecado se eleva, o carnal vai ficando mais divino.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Senha: 8.938

Nádegas quadradas na cadeira desconfortável, esperando o número maldito aparecer na tela. Banco. A instituição do inferno.
O sujeito tinha tanto gel no cabelo que chegava a pender a cabeça. Serviço fácil e rápido, pensei. Nada é tão simples quando o Capeta usa crachá e fala ao telefone.
Fui buscar meu novo cartão. Aquele pedaço de plástico que faz mais estrago que navalha.
"Desculpe, moça. Mas não estamos encontrando seu cartão. Alguma falha no nosso sistema". Hein? "Estaremos entrando em contato esta semana assim que o encontrarmos."
Saí do prédio e absorvi o calor da rua. Dois passos na calçada e uma certeza: o inferno é burocrático.

sábado, 10 de setembro de 2011

Da água

Foi quase um soco no rosto quando abri a janela. Acostumada à penumbra do quarto, fiquei zonza.
Deixei o ar de fora me contar as novidades. Observei a cortina esvoaçando, a imaginei tentando dançar de feliz.
Algumas nuvens passeadeiras no céu despedindo-se, indo chover em algum outro lugar. Voltaram as cores de aquarela na paisagem. Prenúncio de primavera.
Abri meu coração e coloquei ao sol para aquecer. Joguei a alma debaixo das águas que o tempo jorrou. Dei a mim o direito à lavação para tirar as nódoas de ressentimentos.
E tudo ficou tão alvo e com cheiro de vida nova. De alma lavada, me enfeitei mais uma vez à espera de um presente. Venha o destino até mim que hoje vamos dançar!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Sobre viver...

Você só precisa de vontade para ter bagagem. A vida é locomotiva sem condutor, trilhando desejos alheios.
Nem sempre estará acompanhado, nem sempre estará só. Mas qualquer percurso vale a paisagem.

Faça as pazes com velhos inimigos. Nenhum mal há que perdure o tempo que corre nas veias. Temos todos algum defeito e, aos domingos, muitas virtudes.

Você é feito dos seus pensamentos. Não seja a palavra que se joga ao vento, toma rumo e cai em outro país.
Plante mais amigos do que amores que a vida há de lhe dar o fruto mais saboroso.

Eu sou fiel ao que sinto, mas na maior parte do tempo, sou instinto. Somos... de brisa à parede, vamos construindo.

Leve. Deixe. Solte. O que não cabe no coração não vale a pena.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Narciso e eu

Floresceu em noite escura neste jardim sem cores.
De tão bela pétala, desfigurava-me.
Bebi do orvalho que ali se abrigava.
Mas era sem vida debaixo de sua sombra.
Em prantos, inundava-me aos poucos.
Querendo transbordar, avancei.
E, no instinto, de Narciso fiz meu alimento.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A costureira

Foi remexendo uma gaveta esquecida que notei as fotos em um álbum desbotado. Passei os olhos carinhosamente em cada uma.
É gostoso rever a fração daqueles momentos. Uma imagem boba e uma longa história.
Sem pensar, surgiu em minha mente uma colcha de retalhos feita das lembranças. Uma a uma unidas pela linha do tempo.
No princípio, eram pedaços desconexos. Mas a memória é caprichosa, feito moça prendada. E os instantes, aprisionados em papel, foram sendo alinhavados.
Ao final, estendi a colcha etérea a minha frente. Despejei nela olhares orgulhosos. Ainda que houvesse imperfeição nos arremates, era mesmo uma bela colcha.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Do sol

Andei perdida por algum tempo.
Guiando-me por estrelas desaparecidas.
De olhos fechados, permaneci.
Deixei lágrimas me banharem.
Era apenas noite, nunca o dia.
Vieram anjos sorrindo.
Ergo o corpo dormente.
É novo o ar que me envolve.
Aspiro sonhos, suspiro.
Amanheço em mim.



terça-feira, 9 de agosto de 2011

Do momento

Estava em mim curtindo pensamentos e vem à porta alguém para interromper.
Incrível como o preguiçoso perde tempo e, pior ainda, rouba o tempo que você tem.
A atitude mais preciosa é a iniciativa. Desocupar o tempo alheio e fazer você mesmo.
Perco o ânimo para responder as perguntas mais banais. Respiro fundo. E a educação de berço me impede.
Não é a paciência que ficou curta. É o outro que satura.
E tudo caminha mesmo assim. Os que carregam e os que são carregados.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Do agosto

Sopra o vento louco que anuncia o novo mês.
A esmo, rodopiam nuvens encorpadas.
Matilha de cães desatinados correndo livres por aí.
O céu vestido de cinza escuro insistindo no choro.
Da janela vejo o tempo em todas as coisas.
Passe o mês do desgosto sem passar por mim.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Relembrar para esquecer

Ontem tive um reencontro com a vida. Acho que toda vez que volto para a Ilha encerro um ciclo importante.
Um 'oi' inesperado e um convite para sair. Depois de um ano sem nos falarmos, fomos a um bar colocar nossos assuntos em dia.
Mas tem que ser assim. Você volta ao ponto de partida e entende tudo. Olhando para ele na minha frente, fiquei procurando uma réstia do que senti um dia.
Éramos quase os mesmos de antes. Mas com caminhos tão diferentes. Nos desculpamos pela briga final e o que ficou foi carinho.
Na despedida, só um sorriso. É a medida certa de que tudo o que foi vivido valeu a pena.
E a página virou, mais uma vez.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Mondo cane

Há a desigualdade social para os cães. Aprendemos a domesticá-los para nos serem parecidos. Uns saciando-se ao filé mignon. Outros, nem o osso para mentir ao estômago.
Exigimos do cão total lealdade. Se desobediente, o castigo. Mas não somos capazes de sermos fiéis até mesmo aos nossos sentimentos. Seríamos exemplos?
O cão vem solicitar o afago merecido e retribuir em lambidas carinhosas. Achamos inconveniente e até nojento.
Mostramos que ser feroz e indiferente é mais importante.
A espécie dominante é racional. Temos veículos que nos levam a outros lugares, mas apenas os cães apreciam o passeio. Resmungamos da janela aberta. Ar condicionado, pensamos. Vento, é o que deseja o fiel amigo.
Os cães marcam territórios urinando em postes e pneus de carro. Nós demarcamos limites com armas de fogo em nome de coisas que nem fazem sentido.
Partiremos todos algum dia. E, se outra vida existir, que cada um tenha sua vida de cão merecida.

domingo, 10 de julho de 2011

Sentidos

Olhe para mim.
Percebo-te.
Eis minha mão.
Segura firme.
Tens minha boca.
Cala-me agora.
Tatua minha pele.
Desenha nela
O teu cheiro.
Sussurra o desejo.
Ouço-me, agora em ti.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

A pedra



Um erro é um tropeço no caminho.
Não mude o caminho por um tropeço.
A pedra que impede o passo é dura.
Seja também a pedra que persiste.
Algumas vezes é preciso ser fortaleza.
Outras vezes, seja movimento.
Até as pedras mudam de lugar.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Crescer dói

Quando se é criança você olha o futuro e parece tão distante. Se imagina astronauta navegando entre mundos ou uma grande celebridade do cinema. O sucesso mora nos sonhos.
Na adolescência, tudo que se quer é rasgar a calça e gritar um palavrão pra mostrar que não concorda com nada neste mundo. Pega uma guitarra como se fosse o fuzil de um soldado indo para a guerra na missão de salvar o mundo.
Mas você cresce.
De repente, percebe que está num emprego com salário bom o suficiente para sobreviver. Não tem nave espacial e nem capa de revista. As calças bem alinhadas e sua arma musical não toca nenhum acorde.
Você nem lembra mais dos sonhos. Basta deitar à noite e dormir, descanso de quem precisa matar um leão por dia.
As baladas são todas iguais, de pessoas que se repetem e músicas regravadas. A bebida entorpece e o dia ressurge mais uma vez. Você chega em casa com um sabor amargo na boca e um vazio que só aumenta enquanto a ressaca se vai.
É! Crescer dói. Trocam-se os brinquedos por contas a pagar e os amigos-irmãos tomando outros caminhos.
Você, finalmente, compreende a palavra família. Acha que o futuro pode caber num carnê de prestação. E a palavra saudade vai fazendo-se mais presente em seu vocabulário.
E, apesar de machucar, ser adulto é admitir que há o tempo de sonhar, e há o tempo de realizar o sonho.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Despeça-se


Há quem emoldure a própria dor e pendure na parede da sala de estar. Com orgulho mostra o quadro sombrio a quem chega. Sem entender por que a visita foi breve e nunca mais retornou.

Aliás, há tempos que vive apenas olhando o quadro, sem prestar atenção na bagunça que anda a casa, na louça acumulando na pia, nas roupas velhas e desbotadas que ainda veste.

Não há orgulho em sofrer. Não há prêmio para o mártir. Então, despeça-se.
Solte a corda que ainda é o elo com a angústia. Abra as janelas da casa e deixe um pouco de sol entrar. Use uma roupa totalmente nova. Tire das paredes as tristezas penduradas. Depois convide alguém para jantar.

Deixe vir até você. Use seu melhor sorriso e adoce o olhar. Aos poucos, notará que a casa está diferente, embora seja ainda o mesmo endereço.

terça-feira, 21 de junho de 2011

A volta

Sopra o vento insano da vontade.

O corpo balança, quase dança.

E o tempo arde no horizonte.

Perde-se de mim o olhar.

Sopra, vento! Voa!

Leva a minha saudade.

Gira o mundo mais de uma vez.

Um dia, retorna-me!

sábado, 11 de junho de 2011

Elevação



Metade de mim é poeira...
Metade de mim é vento...
Às vezes, misturo-me.
E flutuo!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Amigos e... amigos

Às vezes estamos em uma situação complicada na vida e fica difícil achar solução. Ou apenas estamos nos sentindo pequenos. Se temos amigos, não estamos sozinhos. Um bom amigo não diz o que você quer ouvir. Não concorda com tudo o que você pensa. E te coloca de frente com seus defeitos. Jamais para te diminuir, mas para que você enxergue todos os lados da verdade.
Se você tem amigos assim, você tem tesouros. Guarde-os como naquela canção, 'no lado esquerdo do peito'.
E quando você estiver feliz, tiver alguém especial que te faz um bem danado, que amigo vai te aconselhar a deixar esta pessoa? E se você tem em alguém especial também esta amizade, jamais estará sozinho.
Mas quem quer te ver apenas sorrindo enquanto a música toca alto e o copo está cheio, vale a pena estar em seu círculo? Você é a melhor pessoa do mundo por que faz os outros rirem? Ou por que faz sorrirem com as coisas boas que te acontecem?
Existem tantos tipos de amizade. Mas, amigo mesmo, de verdade, pode ser irmão, mãe, amante, desde que queira para você o mesmo que deseja para si. E te da a mão mesmo sem seu pedido para te ajudar a levantar e ir adiante. O resto... bem, o resto é só momento.

Eu vi por aí

Quem prega que praticar o desapego é fácil, ou mente ou nunca soube o que é o apego.

terça-feira, 7 de junho de 2011

De tanto querer

Queria tanto, mas tanto...
Queria até o ar que circulava por si...
Queria o olhar perdido no horizonte...
Queria saber o que dizia o sorriso distraído...
Queria pulsar no peito a todo momento...
Queria ser todos os pensamentos...
De tanto querer e de nada ter... parti.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Amanheci

Hoje eu amanheci. Não no fato de acordar com o sol. Mas no fato de acordar com a vida.
Passou por mim a noite, num emaranhado de lembranças, de momentos bons, de sintonia perfeita.
E são lembranças agora. Já foi paixão, já foram planos, já foram risos.
Anoiteceu em mim o calor daquele abraço. Adormeceu o que parecia único.
Então, hoje eu amanheci para mim. Com uma página nova pronta a ser desenhada, nas cores que me fazem bem. Em um abraço que seja só para mim, que esteja comigo aonde eu for. Talvez assim que seja amor.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Mais um céu!

Do céu do pampa gaúcho... surgem dias inspiradores assim.
E, ainda que tudo fosse cinza... ao meu lado, era como o sol.

Era uma vez...

...num reino muito, muito distante, um povo educado e gentil.
Mas isto não tem importância. O reino não é mais o mesmo há tempos.
O povo matou o rei, tomou o castelo, quebrou tudo por revolta, colocou fogo na plantação e foi para casa assistir a novela. FIM.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Das (des)importâncias...

Tirei uns minutos da manhã para observar algumas ações a minha volta. De repente percebo que o mundo é nada mais que um caminhão desgovernado ladeira abaixo.
As grandes trocas de ideias estão na lista de ações em extinção e uma nova praga surge: a falta de assunto.
Sujeitos tropeçam uns nos outros pelos corredores, em carrancas e bicos. A gentileza se jogou da janela do 8º andar e, a educação, por desgosto, encontra-se moribunda.
Ontem vi pessoas armadas de xingamentos, feito punhais afiados desferindo golpes a esmo. E o motivo? Ah, sinto tanta vergonha da raça humana, nem vale a palavra escrita revelar tal motivo.
Enfim, é o apocalypse do bom senso. Guerra sem fim contra o inimigo invencível, o tempo. Não sobreviveremos a ele. Mesmo assim, gastamos a cota única que nos cabe nas infinitas bobagens do dia.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Quando eu esquecer

Quando eu esquecer, é por que a ausência tornou-se presença.
Há mais silêncio do que palavras.
E o sorriso é puramente sem graça.
O coração não pulsa, apenas repulsa.
Quando eu esquecer, não tente mais fazer-me lembrar.

Dica para reaproveitar gente chata!

SABÃO

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Os impostores

Há sempre uma desculpa para ser. E não importa o que você é, você escolheu isto, é da sua responsabilidade.
Mas de todas as formas de ser, a mais medíocre é ser mentira. É um jeito de ser que condena o caráter a não existir.
Todo impostor vive de fingir para alguém. É premissa. É o triunfo da covardia. Não importa se é contada, omitida ou ignorada. Há mentira!
O impostor sentencia o outro à cegueira. E, ainda que se tente dar luz aos olhos, a mão sem remorso torna a cobri-los.
Vive somente para si sendo mentira. Se houvesse sentimento maior, ainda seria pequeno, pois o coração é minúsculo.
Mesmo que a farsa termine, há de defender com unhas e dentes o seu direito de ser por puro engano. Talvez por temor de olhar-se ao espelho e ver nada mais que um punhado de nada.

sábado, 14 de maio de 2011

A quem interessar possa

Deveria aprender a falar com quem quer falar comigo. Abraçar quem quer meu abraço. Dar atenção a quem realmente precisa dela.
Deveria ter menos ilusões. Visitar velhos amigos. Telefonar para quem deseja muito ter notícias minhas. Dar notícias minhas a quem espera por isto.
Deveria guardar meu melhor para quem me dá seu melhor. Compartilhar mais lembranças boas e risadas amigas.
Eu deveria aprender com os erros. Deveria dar menos conselhos. Fazer mais coisas para mim.
Mas e por que não fazer isto hoje? Agora já é hora.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Sabedoria

'iwazaru' (o que tampa a boca) = não fale o mal
'mizaru' (o que cobre os olhos) = não veja o mal
'kikazaru' (o que tapa os ouvidos) = não ouça o mal

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Recicle...

Se a vida fosse um grande armário de prateleiras, em algum momento, tiraria tempo para reorganizar tudo?
Ou apenas continuaria depositando ali desmedidamente meus acontecimentos?
Chega a hora em que as coisas se misturam, o que era para estar no lugar mais alto, de repente se perdeu na bagunça. Então, você vai pensar na última vez que viu por ali. Já não lembra mais.
Olhe para este armário, tire folga de si mesmo e contemple o que há nele. Todas as pessoas estão onde merecem estar? Todas as memórias bonitas estão embaladas com cuidado?
Dos atos diários, não é tudo que está ali dentro. Nem tudo é digno de estar ali. O que não é, recicle, transforme em algo bonito e guarde. Se não há beleza nisto, jogue fora imediatamente.
Lembre-se, seu armário não é infinito. Saiba dar valor ao que é importante e abrir espaço para coisas novas virem.
Chegará o dia em que alguém fechará as portas dele definitivamente, levando consigo as chaves e dirá que aquele é um armário que merece ser lembrado sempre.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Mil novidades por segundo

Na era da informação, nunca me senti tão desinformada! Entre e-mails, redes sociais e celulares conectados, pessoas desconexas.
Tenho tantos "profiles" que já nem sei se sou eu ou se é meu avatar que está feliz logo cedo, sorrindo para arrobas. São tantas notícias comentadas, tantas novidades jorrando numa tela e eu nem saí da cama ainda, o mundo está movendo a roda da vaidade.
Percorre as prateleiras de uma livraria. Que bem me faz o cheiro de papel novo! O palpar das folhas.
Não gosto de jornais, têm cheiro ruim, tem cheiro de uma velha intriguenta.
Nem tudo é notícia, nem tudo eu quero saber. Assimilo informações que não mudam nada e não fazem cócegas no meu viver.
Deixe-me alienada por um segundo! Distante do bla bla bla diário. E quando eu voltar, enfim, algo será novo outra vez.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Quando for tarde

Tinha meus olhos nos teus.
Minha mão em tua pele.
Minha boca com seu sabor.
Era tua inteiramente.
Mas só soube disso depois,
Quando, já muito tarde,
Virei a esquina daquela rua.
Indo embora em silêncio
Sem nada mais a lembrar.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Instruções de Uso

MULHER

1. Retire a embalagem com cuidado, pois o vestido novo foi uma pechincha de grife.
2. Verifique se todas as partes estão encaixadas corretamente (observe o alinhamento dos peitos siliconados).
3. Se o seu modelo é o Gatinha Manhosa 2.2 não esqueça de inserir algumas doses de vinho enquanto vocaliza palavras carinhosas.
4. Se o seu modelo é o Mulher Total 3.0, é só dar a partida sem gasto de tempo.
5. Evite o uso inadequado sem que a luz verde esteja acesa.
6. É recomendado o uso de frases com alto poder de elevação do ego.
7. Virar para o lado e dormir pode causar choque.
8. Após reembalar, não esqueça de inserir na memória o número de telefone para contato futuro.
9. Para o máximo desempenho de seu modelo, aguarde 3 dias para fazer uso do telefone.
10. Em caso de surto, é recomendado colocar na geladeira até que se reestabeleça o sistema.
11. Não é possível fazer o reset do sistema.
12. O descarte deverá ser feito de maneira adequada, de modo que o modelo não volte a operar no modo "juntos para sempre".
13. Seja feliz.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Rápido demais...

Na pressa, saí de casa esquecendo um pedaço da mala aberta. Fui correndo pela rua, atrás do ônibus que me levaria embora daqui.
Corria tanto e ele, cada vez mais se distanciando.
Ouvia alguém chamando e, na pressa, não parei para ouvir.
E aquele ônibus que me levaria daqui, indo embora sem mim. Desespero.
A voz que me chamava foi sumindo e sumindo...
E então me vi sozinha numa rua comprida e sem ter para onde ir.
Olhei na mão aquela mala. Fui perdendo as coisas importantes pelo caminho.
Eu tinha pressa.
Agora só tenho a mala vazia.

domingo, 3 de abril de 2011

Arrisco-me!

Há uma palavra que me causa medo.
A este medo chamo de Tempo.
Tem na pronúncia o som do trovão.
Costuma chover lento e manso.
Mas, profundo, engana-me.
De longe, parece sopro.
De perto, é vendaval.
Está no caminho que passou.
Ainda é caminho que ando.
Será sempre caminho a ser.
Tenho medo.
Arrisco-me.

sábado, 2 de abril de 2011

Desejo

Foi em um momento à toa que olhei aquela foto e eu quis.
Como se quer o sol à beira do mar.
Como se quer a água durante a sede.
E fui querendo e querendo ainda mais.
Pensamento fixo.
Único verbo a conjugar.
Depois ouvi a voz naquele recado gravado.
E quis outra vez.
Do jeito que se quer brisa num dia de calor.
Do jeito que se quer carinho diante da tristeza.
Então eu toquei a pele e senti o gosto numa noite de verão.
Veio o arrepio, o abalo na estrutura e desmoronei.
Permaneço no desejo.
Feito pássaro que deseja o céu.
Feito criança que deseja o riso.
E apenas desejo assim.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Feliz TPM a você!

Ouço um som estridente, abro um olho sem nenhuma vontade, instintivamente jogo aquele pequeno aparelho eletrônico no chão.
Levanto devagar, como quem fosse ter uma segunda chance de ficar dormindo. Percebo que chove lá fora. Putz!
Caminho desgraçadamente até o banheiro, lavo esta cara de cinismo e olho no espelho. Péssima ideia! Que cabelo é este???
Tento escolher uma roupa que valorize meu corpo, confira algum charme, mas só penso em continuar dentro da camisolinha de malha com desenho infantil.
Não tenho fome, logo saio de casa e, quase na rua, lembro que esqueci a carteira. Porra!
Volto pro carro, dirijo psicopatamente, entre buzinas e freiadas grotescas. Finalmente, chego no trabalho. Merda de trabalho! Tento entrar rapidamente na minha sala, fecho a porta atrás de mim e respira mais aliviada.
Outra vez um barulho irritante perseguindo.Atendo o telefone e a voz de gralha do outro lado proferindo um bom dia escandaloso faz doer meu estômago e ter pensamentos nada cristãos.
Ainda restam umas 5 horas para acabar com isto. Onde está o chocolate quando mais preciso???
Resisto bravamente. Ok, respiro lentamente, expiro.
De repente uma mensagem no email, nada muito sofisticado, mas fez toda a diferença. E uma gota de carinho muda tudo mais uma vez.

segunda-feira, 28 de março de 2011

O caminho certo tem curvas

Passei anos construindo minha estrada, feito aranha tecendo a teia na busca de viver. 
Carreguei comigo lembranças obsoletas que pesaram na mala. 
Cada passo e cada grão de areia no sapato contando minha história.
Pensei já ter alcançado meu oásis, meu paraíso.
Veio um vento forte e misturou todas as coisas, apagando minhas pegadas.



E num lampejo estou diante de escolhas.
Cada porta é uma nova chance de recomeço.
Cada porta é um sacrifício de outros recomeços diferentes.
Fico diante delas tentando advinhar, esperando um sinal.
Quero seguir adiante, mas por qual caminho?



Fecho os olhos e deixo a mão alheia ser meu norte.
Sou bússola sem ponteiro, mapa sem desenho.
Um sopro do acaso me carrega adiante.
Abro os olhos, te vejo. Abro a porta, me entrego.
Coração itinerante, sem pressa de chegar.

domingo, 13 de março de 2011

Das Condições

Pedi a salvação e me foi concedida. Mas eu queria sob meus termos, então nada aconteceu.
Pedi por amor e me foi concedido. Mas eu queria que fosse eterno, então ele acabou.
Pedi por carinho e me foi concedido. Mas eu queria apenas receber, então não se repetiu.
Pedi por amizade e me foi concedida. Mas eu queria sem retribuição, então se foi.
Pedi por todas as coisas que me fizessem mais feliz e tudo me foi concedido.
Mas o tempo... ah! o tempo... não há segunda chance para o mesmo momento.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Um GPS para a vida.

Alguém se aproxima para mostrar a última aquisição: um celular com zilhões de funções, com acesso a todas as redes sociais, sensor de localização de pessoas, cartão de memória de trocentos gigas, câmera com resolução de telescópio Hubbe e até um GPS.
Ok, faço aquela cara de paisagem e emito um murcho "que interessante!". A pessoa se afasta para mostrar a um outro alguém que ficou muito curioso e fez várias perguntas do tipo quero-um-igual. E é apenas um pedaço de plático.
Onde está a vida nisto tudo? Você conhece as pessoas através de máquinas, você se comunica através de máquinas, você tem suas emoções transformadas em bits. E quando é olho no olho, com direito a contato físico, corpo falando, voz deixando pistas, o sujeito se perde.
Fica sem o amparo, sente-se sem um braço ou perna, já não sabe como agir. Acha que seu charme fica melhor definino em emoticons. Pane no sistema. Tem vontade de reiniciar. Procura a tecla "delete" para a piada boba que contou. O olhar direto de quem está a sua frente lhe incomoda e o deixa mareado. Coloca o cardápio em frente ao rosto e simula sua tela de 15". Melhor assim, ele pensa. Tudo acaba e pode voltar ao seu mundo perfeito da virtualidade.
Saindo da minha divagação, ainda noto os dois conversando sobre aquele pedaço de plástico falante. Absorvidos pelo assunto, não deixaram espaço para a moça sozinha ali perto ser notada. Ela se esforça, mas passa etérea pelos dois e segue com sua vida para lá de real.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Para ser feliz

Foto: by post Maninha site Vila Mulher
 
Insistir e persistir. Não desistir. Quem é que não está nesta vida apenas para buscar a felicidade?
Não importa do que ela é feita, se de matéria ou de sensações. É o santo graal da existência.
O caminho que se toma e a própria jornada, tem vezes que nem parece valer a pena.
E por mais que você jure que vai deixar de lado a busca, nunca vi ninguém abandonar a jornada.
Você pode ter medo ou estar sozinho, mas ainda estará lá, emaranhada nas ideias, a vontade de ser feliz.
Seja como for, estamos todos errados nesta caçada.Somos crianças tentando segurar fumaça com as mãos. Felicidade é estar. É moça volúvel que às vezes te namora. Às vezes, vai embora sem aviso. Mas ela voltará, cedo ou tarde, aos braços de quem sabe seu valor.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Das condições...

Quando você quer mais.
Quando você esgota.
Quando você esvai.
Quando você define.
É quando eu quero.
É quando eu desejo.
É quando eu percebo.
É quando eu sinto,
Não tem medida.
Não tem distância.
Não tem acaso.
Não tem impossível.
Tudo o que quero é você.
Tudo o que desejo é você.
Tudo o que penso é você.
Mas...

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

No templo da mesmice

Abro o link e chove aquele texto sonso na minha tela. Um amontoado de palavras repetidas e tudo o que me causa é tédio. Era mais como um dedo na cara de alguém que provavelmente nem sabe que incomoda tanto assim.
Percorro atualizações deste mundo virtual em todos os recantos que me faço presente. Alguém indica uma música para dizer que é descolado e outro cita um autor arcaico por total falta do que dizer. Que necessidade é esta de ser notável?
Tragam-me o novo. Eu não estou interessada em pessoas e suas rotinas, eu quero acontecimentos. Vamos ao que faz a diferença.
E tem aquele outro lugar que você jorra seus pensamentos em forma de caracteres. Então vem o chato e te desfere uma crítica, como se ele fosse o representante universal da verdade absoluta.
Que benção o poder de deletar frases, opiniões e pessoas. Tudo que incomoda desaparece. Reina a paz. Breve, mas resistente.
Toca o telefone e o mundo real te suga de volta à vida de verdade, onde a opção de deletar é só uma vontade que esbarra na educação, por vezes na covardia.
Ok, quando tudo ficar trivial sempre há a fuga para o mundo dos bits.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Da falta que faz...

Tenho pensado sobre a saudade. O que ela faz por mim? Me deixa um espaço completamente vazio, impossível de preencher.
Caminho pela casa inutilmente, dando voltas em meus pensamentos e nada acontece. Só há saudade aqui.
É uma prisão sem grilhões, sem grades. Dói mais por que estou livre. Eu poderia ir aonde quisesse, fazer tudo que desse vontade, ou nem fazer nada.
Permaneço no vazio. Faz falta. Ouço uma música e recordo. Leio uma frase de outdoor e recordo. Um gesto de alguém passando na rua e tudo me recorda outro alguém.
Quem disse que saudade pode ser boa, nunca sentiu saudade, apenas virou a página e esqueceu.
Também penso em esquecer, também quero abandonar e voltar ao momento anterior deste pesar. Mas o que me deixa com saudade é mais forte, me faz melhor e leva ao céu.
Se a saudade é condição, aceito os termos e sigo no anseio de um dia apenas esquecer que ela existiu.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O último sonho

Na cadeira de balanço ele lembrou da infância.
A brincadeira ainda é a mesma, mas perdeu a graça.
Embala o corpo, deixa o pêndulo da vida agir.
Lembra de nomes que não dizem nada.
A memória brota e jaz imediatamente.
O sentimento também envelhece.
Já ouve fome de conquistar o mundo.
Agora não há mais o que saborear.
Tem no peito um coração enrugado.
Caem as pálpebras como cai a noite.
Sonhos de criança no balanço.
E nunca mais acordar...

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Faz de conta

Chego do trabalho cansada e insana por me jogar no sofá, curtir um bom filme e simplesmente inexistir.
Toca o telefone insistente. Barulho chato. Mais chato ainda é quem está tentando falar comigo do outro lado.
Resolvo atender na segunda vez que toca. Digo um alô que daria medo até a um surdo.
E lá vem o bla bla bla e o convite. Sinto dor no estômago. Náuseas.
Repulsa por quem me obriga a perder a educação. A semana toda recusei essa ligação.
Vou direto à resposta: não! E tenho que ouvir outra pergunta: Por que não???
Só pode ser brincadeira, penso. A repulsa aumenta e a insistência parece não ter fim.
Desligo. Qual parte do "não" a criatura não entendeu?
Que pessoas são estas que vivem no mundo do "faz de conta"?
Quem faz de conta que não entendeu, eu faço de conta que não existe!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Aviso aos navegantes

Aos 35 anos, ele achava que ainda era um garoto de 17. Passa o tempo livre nos games, bebe como se o fígado fosse de titânio, dirige inconsequentemente o carro, paquera compulsivamente para garantir a massagem no ego. Achava eu que meu amigo era um caso perdido.
Repentinamente a vida veio a lhe comunicar o óbvio: o tempo passou. Reagiu muito mal à descoberta. Ficou zangado, negou a realidade, debateu-se. Inevitável! O tempo passa e você se adapta.
O cabelo caiu, as linhas no rosto estão fixas e irredutíveis, o corpo reclama descanso.
Ele viveu distraído a última década. Não percebeu as mudanças. Agora sofre.
Pergunta-se onde foi parar o garoto que sorria no espelho todas as manhãs. Onde esteve este tempo todo?
Aconteceu com meu amigo. Há de se prestar atenção no Tempo, este senhor genioso que não espera por ninguém.

Um pouco de loucura

Traga-me o remédio para esta angústia.
Um pouco de loucura me faz bem.
A pitada do tempero que faltava.
Chega desta seriedade urbana.
Leve-me para ver o mar outra vez.
Quem sabe banho de chuva?
Quem sabe banho de lua?
O sentimento é insano.
Mas satisfaz o corpo.
Me entrego e quero de novo.
Preciso, apenas isto.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O Grande Sacana!

Ela vinha devagar, com jeito de quem aprecia a paisagem. Usava um casaco pesado e os bolsos cheios de certeza.
Alguém perguntou para onde estava indo. Deu de ombros.
Feito navio sem porto para atracar.
Parecia feliz na sua conformada infelicidade.
E era paz, e era rocha.
De repente avistou o Perigo e achou graça.
Ele era atraente demais para ignorar.
Valia uma brincadeira.
Tirou o casaco e deixou meio de lado.
E o Perigo, tão maroto, convidou para um passeio.
Ela aceitou sorrindo e partiu.
Esqueceu o casaco e com ele, toda a certeza.
Já não era rocha, era apenas vento.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O crime

No desespero de não poder mais alimentar a vontade, eu a matei antes que ela me matasse.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Achados e Perdidos

- Eu vim registrar uma ocorrência.
- Pois não, pode falar.
- Perdi algo importante.
- Documentos? Celular?
- Não. Algo importante mesmo, insubstituível. Preciso de volta!
- Calma, moça! Vamos encontrar. Mas o que é que perdeu?
- O entusiasmo.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Gravidade zero.

Começou assim, leve, manso e delicado.
Tem gosto doce que lembra infância.
E de repente sou criança...
Que fica ansiosa esperando a hora de brincar.
Tenho 365 páginas em branco agora.
E as primeiras linhas escritas flutuam.
Tenho palavras dançarinas.
Penso e transbordo no pensar.
Na primeira página, eu, você, talvez nós.
Aguardo o tempo, guardo o tempo.
Torno a escrever...