domingo, 31 de outubro de 2010
Amar o próximo
Meu amor é reservado, bem como vinho de safra especial.Não quero amar todo mundo, não sinto compaixão por todos os 6 bilhões sobre o planeta. Sou insensível? Tampouco me compadeço diante de qualquer história triste.
Deveria amar a todos, sentir por todos. Mas nem cabe em mim tanta pretensão. Sou pequena neste mundo. Minha evolução caminha em passos vagarosos. Aprendo, sim. Embora nem todas as lições permaneçam.
Quando criança, achava engraçado isto de amar ao próximo. Sempre vinha a ideia boba na cabeça de que isto justificava eu gostar do filho do vizinho.
Sou adulta, ainda não compreendo. Me parece indecifrável isto sobre amar.
O amor de mãe é o único que se encaixa no que eu acho que é verdadeiramente amor.
O incondicional.
Amor de mandamento, tão utópico! Quem está disposto a libertar-se das diferenças, das arestas, dos abismos que nos separam? Nós, os humanos.Valorizamos tanto estes contrapontos, estas peculiaridades de quem somos. Amar a todos é abrir mão desse desejo de ser único, melhor ou genial.
Sim, deveríamos ser iguais, semelhantes, unidos. Não somos. Então, ame a quantos puder amar sinceramente, que seja prioridade de vida e, talvez isto nos deixe mais próximos do divino. Ame, não por obrigação, mas por inspiração.
Deveria amar a todos, sentir por todos. Mas nem cabe em mim tanta pretensão. Sou pequena neste mundo. Minha evolução caminha em passos vagarosos. Aprendo, sim. Embora nem todas as lições permaneçam.
Quando criança, achava engraçado isto de amar ao próximo. Sempre vinha a ideia boba na cabeça de que isto justificava eu gostar do filho do vizinho.
Sou adulta, ainda não compreendo. Me parece indecifrável isto sobre amar.
O amor de mãe é o único que se encaixa no que eu acho que é verdadeiramente amor.
O incondicional.
Amor de mandamento, tão utópico! Quem está disposto a libertar-se das diferenças, das arestas, dos abismos que nos separam? Nós, os humanos.Valorizamos tanto estes contrapontos, estas peculiaridades de quem somos. Amar a todos é abrir mão desse desejo de ser único, melhor ou genial.
Sim, deveríamos ser iguais, semelhantes, unidos. Não somos. Então, ame a quantos puder amar sinceramente, que seja prioridade de vida e, talvez isto nos deixe mais próximos do divino. Ame, não por obrigação, mas por inspiração.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Sinceramente
As pequenas mentiras da rotina que pronunciamos para não entristecer alguém amontoam-se em uma gaveta que costumo chamar de "coisas inofensivas".
Nunca lembro de tirar a poeira que acumula nessas lembranças, aliás, nunca lembro mesmo, nem da gaveta, nem do que foi falado.
São as coisas inofensivas que não passam de mentiras, mas inofensivas para quem? Se, lembrar eu evito e divulgar não é preciso.
Imagino se eu tivesse dito realmente a verdade naquele instante. Teria dito que não gosto do seu cabelo. Que seu perfume me irrita e o seu jeito de falar me deixa sonolenta.
Teria confessado que eu não ligo e, menos ainda, ignoro. Sentaria ao seu lado para dizer baixinho, ao pé do ouvido, que não me importa.
E tudo aquilo que você opinou sobre minha própria vida, não me alcança.
Mas, ainda assim, eu menti. Coloquei o sorriso na boca que te dizia apenas o que você quis ouvir.
E eu menti para você. Menti tão somente por você. Pela real necessidade de nunca te deixar triste.
A você, amigo(a), reservo pequenos delitos se forem para te fazer mais feliz.
Nunca lembro de tirar a poeira que acumula nessas lembranças, aliás, nunca lembro mesmo, nem da gaveta, nem do que foi falado.
São as coisas inofensivas que não passam de mentiras, mas inofensivas para quem? Se, lembrar eu evito e divulgar não é preciso.
Imagino se eu tivesse dito realmente a verdade naquele instante. Teria dito que não gosto do seu cabelo. Que seu perfume me irrita e o seu jeito de falar me deixa sonolenta.
Teria confessado que eu não ligo e, menos ainda, ignoro. Sentaria ao seu lado para dizer baixinho, ao pé do ouvido, que não me importa.
E tudo aquilo que você opinou sobre minha própria vida, não me alcança.
Mas, ainda assim, eu menti. Coloquei o sorriso na boca que te dizia apenas o que você quis ouvir.
E eu menti para você. Menti tão somente por você. Pela real necessidade de nunca te deixar triste.
A você, amigo(a), reservo pequenos delitos se forem para te fazer mais feliz.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
A competição
Desde a ejaculação até a hora da morte, estamos numa competição.
Do simplório espermatozóide atleta atá o derradeiro momento em que a morte se apresenta.
Tanta luta e o final é a derrota, fatal, certeira e perpétua.
Pessimismo? Se o fim é o que importa.
Da manhã até à noite, tudo é competição.
Adversários do tempo, do calor, da vaidade, da saudade...
Tudo é uma questão de conquistar mais, estar melhor, ser maior.
E este é o viver.
Talvez, morrer seja aceitar que só se é vencedor em vida, sem medalhas e sem condecorações.
Querer mais, ir mais longe, chegar mais alto e deixar a vida acontecer.
Do simplório espermatozóide atleta atá o derradeiro momento em que a morte se apresenta.
Tanta luta e o final é a derrota, fatal, certeira e perpétua.
Pessimismo? Se o fim é o que importa.
Da manhã até à noite, tudo é competição.
Adversários do tempo, do calor, da vaidade, da saudade...
Tudo é uma questão de conquistar mais, estar melhor, ser maior.
E este é o viver.
Talvez, morrer seja aceitar que só se é vencedor em vida, sem medalhas e sem condecorações.
Querer mais, ir mais longe, chegar mais alto e deixar a vida acontecer.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Pela janela!
Posso bancar a cigana Esmeralda e advinhar seu pensamento: tem medo de estar desperdiçando tempo?
Aí, sujeito fica sentado no sofá de casa reclamando com a família que o trabalho está ruim e o salário não compensa, sem dizer que considera absurdo ninguém reconhecer sua genialidade.
Aham! Tenho novidade: você não é o único no planeta com a mesma queixa da vida.
Sabe o cachorro que está fuçando na lixeira agora? Feliz da vida que encontrou alguma coisa. Mas ele foi à luta! O que te diferencia dele? Um sofá.
O tempo não usa o bom senso, aquilo que você usa como desculpa para não mudar de emprego, não largar um velho hábito.
Você fica aí olhando para a porta e esperando que ela se abra com todos os seus merecidos prêmios. Não, o Sílvio Santos não vai aparecer.
Mas será que chegou a perceber a outra saída? Aquele vão ali na parede, convidando para o pulo no mundo.
Se a porta não abre, vá pela janela. Vá! Viva!
Aí, sujeito fica sentado no sofá de casa reclamando com a família que o trabalho está ruim e o salário não compensa, sem dizer que considera absurdo ninguém reconhecer sua genialidade.
Aham! Tenho novidade: você não é o único no planeta com a mesma queixa da vida.
Sabe o cachorro que está fuçando na lixeira agora? Feliz da vida que encontrou alguma coisa. Mas ele foi à luta! O que te diferencia dele? Um sofá.
O tempo não usa o bom senso, aquilo que você usa como desculpa para não mudar de emprego, não largar um velho hábito.
Você fica aí olhando para a porta e esperando que ela se abra com todos os seus merecidos prêmios. Não, o Sílvio Santos não vai aparecer.
Mas será que chegou a perceber a outra saída? Aquele vão ali na parede, convidando para o pulo no mundo.
Se a porta não abre, vá pela janela. Vá! Viva!
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
O grito mudo!
Para algumas pessoas só resta o desespero.
Quando tudo já foi dito e nada foi aceito.
Minha vontade é meu domínio e a sua vontade não prevalece aqui.
Querer não basta para me prender.
Não me procure nas entrelinhas. Nas curvas das linhas.
Simplesmente já não trilho o mesmo caminho.
Se te fui doce algum dia, se te fui só carinho, apenas foi algum dia.
Me deseja e me odeia por este desejo.
Me oferece a candura e me amaldiçoa num repente.
Te vejo debatendo-se como a quem se enterra vivo.
Você grita. Silêncio. Vazio.
Já não pode me alcançar. Estou do lado de lá, onde a água é serena e o vento não é pranto.
Definitivamente, estou em um outro lugar.
Quando tudo já foi dito e nada foi aceito.
Minha vontade é meu domínio e a sua vontade não prevalece aqui.
Querer não basta para me prender.
Não me procure nas entrelinhas. Nas curvas das linhas.
Simplesmente já não trilho o mesmo caminho.
Se te fui doce algum dia, se te fui só carinho, apenas foi algum dia.
Me deseja e me odeia por este desejo.
Me oferece a candura e me amaldiçoa num repente.
Te vejo debatendo-se como a quem se enterra vivo.
Você grita. Silêncio. Vazio.
Já não pode me alcançar. Estou do lado de lá, onde a água é serena e o vento não é pranto.
Definitivamente, estou em um outro lugar.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Dispara o coração
Falar deste amor é necessário. Decente, inocente e fiel. Não me exige nada além da minha presença.
Este amor que faz meu coração disparar e que não vê a hora de estar junto.
Visualizo o momento, planejo o tempo que teremos.
É questão de alma. Nenhuma palavra interfere. Não tenho ciúmes e nem sentimento vão.
A estrada me entende, me completa, me une a todas as lembranças dentro de mim.
A mente se eleva e o corpo se tranquiliza. Respiro e sinto.
Meu amor é pelo movimento, nem o partir e nem o chegar, mas o estar.
Pulsa o motor que faz minha alma melhor.
Este amor que faz meu coração disparar e que não vê a hora de estar junto.
Visualizo o momento, planejo o tempo que teremos.
É questão de alma. Nenhuma palavra interfere. Não tenho ciúmes e nem sentimento vão.
A estrada me entende, me completa, me une a todas as lembranças dentro de mim.
A mente se eleva e o corpo se tranquiliza. Respiro e sinto.
Meu amor é pelo movimento, nem o partir e nem o chegar, mas o estar.
Pulsa o motor que faz minha alma melhor.
domingo, 10 de outubro de 2010
É foca!
Não sei de quem é a autoria da imagem, mas eu sei que isso é fofo demais!
Pequena homenagem às focas tuiteiras.
Pequena homenagem às focas tuiteiras.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Das obrigações implícitas
Estava escrito em uma placa na rua, no encontro de dois caminhos, mas ignorei e segui. Aquele "PARE" impedindo que eu fosse adiante no meu próprio tempo, forçando a reduzir minha pressa, simplesmente assim. Absurdo! Não estava ali ainda ontem, tão explícita ordem contra a minha vontade.
Segui, insolente e arrogante.
No espaço de tempo que não lembro, ouço a urgência do telefone tocando, solicitando atenção máxima. Não atendi. Decidi que meus pensamentos eram mais importantes naquele instante.
Recebo um e-mail cheio de carinho de alguém que talvez goste tanto assim de mim. Apago. Carinho que me chega imposto. O afeto que espera a resposta, não é afeto, é condição.
Recuso estas obrigações escondidas, camufladas. Mas recuso dentro de mim, longe de onde habita a lógica, o racional e o juízo.
Segui, insolente e arrogante.
No espaço de tempo que não lembro, ouço a urgência do telefone tocando, solicitando atenção máxima. Não atendi. Decidi que meus pensamentos eram mais importantes naquele instante.
Recebo um e-mail cheio de carinho de alguém que talvez goste tanto assim de mim. Apago. Carinho que me chega imposto. O afeto que espera a resposta, não é afeto, é condição.
Recuso estas obrigações escondidas, camufladas. Mas recuso dentro de mim, longe de onde habita a lógica, o racional e o juízo.
sábado, 2 de outubro de 2010
A véspera.
Sofro da angústia da véspera. Esperar. O tempo tem vontade própria, arrastando-se ou pulando momentos.
Sofro de esperar. Necessidade de agir, agora.
Tudo está cadenciado no universo, menos eu. As horas riem enquanto me debato em vão, feito peixe procurando pelo mar enquanto a areia o engole.
Sou ingênua criatura neste mundo. O minuto que me é precioso nada representa na idade da Terra.
Mas o minuto que foge inutilmente me é muito caro. A palavra é ação.
Respiro o tempo, faço círculos na água do anseio e apenas espero. Há um sábio que mora nessa pausa. Não o vejo, apenas sigo sofrendo.
Sofro de esperar. Necessidade de agir, agora.
Tudo está cadenciado no universo, menos eu. As horas riem enquanto me debato em vão, feito peixe procurando pelo mar enquanto a areia o engole.
Sou ingênua criatura neste mundo. O minuto que me é precioso nada representa na idade da Terra.
Mas o minuto que foge inutilmente me é muito caro. A palavra é ação.
Respiro o tempo, faço círculos na água do anseio e apenas espero. Há um sábio que mora nessa pausa. Não o vejo, apenas sigo sofrendo.
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