quarta-feira, 20 de abril de 2011

Instruções de Uso

MULHER

1. Retire a embalagem com cuidado, pois o vestido novo foi uma pechincha de grife.
2. Verifique se todas as partes estão encaixadas corretamente (observe o alinhamento dos peitos siliconados).
3. Se o seu modelo é o Gatinha Manhosa 2.2 não esqueça de inserir algumas doses de vinho enquanto vocaliza palavras carinhosas.
4. Se o seu modelo é o Mulher Total 3.0, é só dar a partida sem gasto de tempo.
5. Evite o uso inadequado sem que a luz verde esteja acesa.
6. É recomendado o uso de frases com alto poder de elevação do ego.
7. Virar para o lado e dormir pode causar choque.
8. Após reembalar, não esqueça de inserir na memória o número de telefone para contato futuro.
9. Para o máximo desempenho de seu modelo, aguarde 3 dias para fazer uso do telefone.
10. Em caso de surto, é recomendado colocar na geladeira até que se reestabeleça o sistema.
11. Não é possível fazer o reset do sistema.
12. O descarte deverá ser feito de maneira adequada, de modo que o modelo não volte a operar no modo "juntos para sempre".
13. Seja feliz.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Rápido demais...

Na pressa, saí de casa esquecendo um pedaço da mala aberta. Fui correndo pela rua, atrás do ônibus que me levaria embora daqui.
Corria tanto e ele, cada vez mais se distanciando.
Ouvia alguém chamando e, na pressa, não parei para ouvir.
E aquele ônibus que me levaria daqui, indo embora sem mim. Desespero.
A voz que me chamava foi sumindo e sumindo...
E então me vi sozinha numa rua comprida e sem ter para onde ir.
Olhei na mão aquela mala. Fui perdendo as coisas importantes pelo caminho.
Eu tinha pressa.
Agora só tenho a mala vazia.

domingo, 3 de abril de 2011

Arrisco-me!

Há uma palavra que me causa medo.
A este medo chamo de Tempo.
Tem na pronúncia o som do trovão.
Costuma chover lento e manso.
Mas, profundo, engana-me.
De longe, parece sopro.
De perto, é vendaval.
Está no caminho que passou.
Ainda é caminho que ando.
Será sempre caminho a ser.
Tenho medo.
Arrisco-me.

sábado, 2 de abril de 2011

Desejo

Foi em um momento à toa que olhei aquela foto e eu quis.
Como se quer o sol à beira do mar.
Como se quer a água durante a sede.
E fui querendo e querendo ainda mais.
Pensamento fixo.
Único verbo a conjugar.
Depois ouvi a voz naquele recado gravado.
E quis outra vez.
Do jeito que se quer brisa num dia de calor.
Do jeito que se quer carinho diante da tristeza.
Então eu toquei a pele e senti o gosto numa noite de verão.
Veio o arrepio, o abalo na estrutura e desmoronei.
Permaneço no desejo.
Feito pássaro que deseja o céu.
Feito criança que deseja o riso.
E apenas desejo assim.