Meias de algodão. Nenhum lugar é mais seguro e confortável do
que minhas meias de algodão. Na impossibilidade de retornar ao útero materno,
as meias. Nelas repouso os pés cansados de chão. Os pés cansados de pôr-se em
movimento. Refúgio. Contra a frieza que o mundo te trata, meias de algodão. Cada
um inventa sua própria maneira de reencontrar-se. A minha é o que me aquece, me
acalma e me conforta em silêncio. Eu poderia dizer o mesmo de muitas pessoas
que amo, mas a elas não reservo este tempo de céu pesado que paira sobre mim. A
elas, prefiro reservar os dias ensolarados. E que não me faltem as meias de
algodão.
terça-feira, 29 de outubro de 2013
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
Outro tijolo na parede
Pensar na educação hoje em dia é entristecer-se. Quem são os
pais que estão educando esta geração? Quem são os pais que estão servindo de
modelo para a criançada? Quem são os pais e quem são os filhos?
E daquela frase “os incomodados que se retirem” nem é
possível aplicar. O mundo é um só e estamos todos nele. Mas a educação é o que
nos mantêm no prumo e não faz o barco virar. Infelizmente, parece que a nau vai
à pique, vazando água lentamente.
Existem dois sentidos para a educação: aquela que vem do
estudo, do conhecimento, e esta que vem do berço. Esta que independe de
condição financeira para se justificar, que não leva o selo de garantia
acadêmico, mas que diferencia os homens dos apenas primatas.
Quando eu era criança, eu não sabia, mas era educação que
recebia da hora de acordar até a hora de dormir. A liberdade era permitida aos
poucos, como quando aprendemos a andar de bicicleta. A mão do pai te segurando
firme até você aprender a ter o equilíbrio. Só então a mão protetiva vai se
afastando lentamente enquanto você avança por si mesmo. Educar é segurar firme
para proteger dos tombos enquanto a lição é bem compreendida.
Mas, hoje, o que mais se vê por aí é gente adulta mais
infantil do que nunca. Gente que acha que pode escutar música bem alta e que o vizinho
não tem que reclamar disso. Gente que aceita provocação no trânsito para provar
que é muito bom em ser idiota. Gente que processa o professor por ter
repreendido o filho. Gente que deve sim ter tido a boa e velha educação, mas
acha que ser educado é ser otário.
Onde foi parar a compreensão e o respeito? Bem provável, na
lata do lixo. Eis o “triste fim de Policarpo Quaresma”.
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