sábado, 26 de janeiro de 2013

Não quero ser Jane Austen!

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Eu gosto de romantismo e, quando me apaixono, alcanço níveis altos no quesito. Mas não consigo admirar os que são românticos, os que são assim em tempo integral e sem férias. É o tipo de pessoa que transforma o simples ato de escovar os dentes em um suplício sentimental fervoroso por que a escova de dentes do ser amado não é mais par da sua, ou porque a escova de dentes do ser amado ainda é par da sua e, só por isso, vai postar o dia inteiro músicas melosas na sua página da rede social.

Até quando você gosta muito de alguém, romantismo tem limite. Funciona mais ou menos como aquela 'gracinha" que a criança faz e percebe que os adultos riram, então, fica ali repetindo e repetindo para aprisionar em si a sensação boa que é a de agradar. 

Acho lindo receber flores, ainda mais quando são as minhas preferidas, flores do campo. Mas acho profundamente irritante receber flores em todas as ocasiões que eram para ser especiais, pelo simples fato de que deixa de ser especial quando fica previsível. A vida não precisa ser uma novela da Jane Austen, acredite, ela pode ser mais fácil!

Eis que os românticos me parecem perigosos. Cometem atitudes inconvenientes por não conseguir segurar a vontade do romantismo. Gastam seus 1000 reais em bônus de torpedo com mensagens para o alvo amado em apenas 1 dia. Ficam distraídos e com frequência são pegos em flagrante pensando na morte da bezerra ao som de Djavan.

Mas estou esquecendo o ser romântico que não tem ninguém com quem gastar sua munição de amor. Então, a pessoa resolve direcionar aos amigos e familiares. Que bonitinho! Pena que fica chato depois do trigésimo post para você exaltando a amizade e finalizando com "eu te amo" em um fundo floral. 

Sou chata? Quase sempre. Mas se você se irritou com isso é provável que esteja se identificando em algum exemplo, então, você consegue causar mais chatice do que eu. 

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Sorriso de plástico

Nunca fui conhecida pela minha simpatia. Houve tempo que despendia tempo e esforço (até físico) para esboçar um sorriso capengo, coisa que quase me causava câimbras nos músculos da face. Finalmente, a vida dá voltas o suficiente para te ensinar que sorrir forçado é tão útil quanto tentar enxugar o oceano com papel toalha. Aceitei que um rostinho simpático não me pertencia e deixei de lado essas bobagens.
Eu sei, um sorriso alegra e contagia e blá blá bá... Eu acho isso tudo muito discutível! Não coloco expectativas em alguém pela quantidade de sorrisos que distribuí, mas pela qualidade e intensidade com que sorri.

Meu mau humor é matutino e, às vezes, contínuo. Não consigo emanar entusiasmo pela manhã. Na minha cabeça, manhã e entusiasmo poderiam ser classificados como antônimos. Além do que, acho irritante em grau 937 encontrar pessoas esfuziantes na primeira hora que acordo. Gostaria de andar com uma placa pendurada em meu pescoço: DO NOT DISTURB! Mas não se enganem, eu adoro rir, sorrir, gargalhar, espontaneamente  Só não me sinto obrigada a agradar a quem sequer faz parte da minha vida. Acho pobre de espírito quem se amarra nessas pequenices. Não deixo de me interessar genuinamente por alguém apenas porque ela não tem as mesmas atitudes minhas. E também não me interesso por pessoas que compram livros pela capa.

Entretanto, quando encontro pessoas de bom humor, não recrimino. Embora seja algo que me cause enjoo, respeito que aquela pessoa está em uma frequência astral diferente da minha naquele horário, e só! Não desejo "bom dia" mas o digo, apenas para cumprir a função social dessas duas palavrinhas. Me espanta que tantas pessoas condicionem o seu próprio humor e estima ao fato de ser ou não correspondida por terceiros. São pessoas que já acordam na velocidade 5 do créu e esperam realmente que todos a sua volta acompanhem o ritmo. 

Desculpa, sociedade! Não vim ao mundo para ser mensageira da simpatia. Algumas convenções são apenas cinismo disfarçado de boa educação. Não fosse, eu jamais teria notado a contrariedade que sentem os seres lépidos da manhã ao não obterem de mim um sorriso, nem que seja um de plástico e made in China.

Aos dependentes químicos do afeto fácil, aí vai meu recado: deitem na BR!

sábado, 19 de janeiro de 2013

Só por um dia...

Hoje eu não tinha nada para fazer, então, não fiz. Não tinha nada no que pensar, não pensei. Não tinha saudade para sentir, nem amor para exaltar, nem acontecimento para lamentar... hoje apenas vivi.

Fui dar uma de Narciso e me debrucei sobre o córrego de água só para dizer a mim mesma "gosto de você". Só por um dia, não me cobrei por coisas impossíveis, nem fiz um drama de vida, nem usei o véu da vergonha na cara. Tirei um dia de folga de tudo o que é regra, convenção, imposição ou simples obstrução em meu caminho.

Saí na rua de cara lavada. Alisei meus cabelos com os dedos e vesti o que não combinava na moda mas, sim, comigo. Comi para matar minha fome, bebi para saciar a sede e sentei-me à sombra do tapume sem aquela culpa pela preguiça que me acompanhava.

Hoje, não fiz uma social com amigos e me dei de presente a companhia de família. Tirei de perto a preocupação, a ansiedade e a fadiga do fardo ilusório de carregar o mundo nos ombros. Ouvi músicas antigas e de gosto duvidoso. Evitei o deboche e a intriga. Fiz de conta que tudo era faz-de-conta. 

Agora, neste momento que promovo a ocupação territorial da minha cama pelo meu corpo, extraio da noite aquilo que ela tem de melhor: o saldo de um dia. E percebo, no barulho que fez a latinha da cerveja que abri, a vida é assim, um tanto de amargo e outro tanto de prazer. Basta saber degustar.