quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Quando é que o amor chega?



 Quando é que o amor chega?

Ele chega quando estamos prontos para amar. Sem avisos e nem sinais. É tão simples que chegamos a desconfiar e até fazemos um monte de bobagens por conta disso. Acreditando e desacreditando algumas vezes. Como se saíssemos na rua despistando o amor, entrando em ruas erradas, dobrando em esquinas incertas, só para ter certeza de que é ele mesmo que nos acompanha.

Um dia desses, sem avisos e nem sinais, eu o encontrei. E, quase como todo o mundo, eu tentei despistá-lo de início. Tentei me convencer a duvidar. Mas quando realmente é amor, permanece. O amor fica na vida da gente apesar de haver obstáculos aparentemente intransponíveis. Apesar de haver a má intenção alheia, o olhar desaprovador de quem não tem afeto em si mesmo, apesar das opiniões a respeito, apesar das línguas ferinas e dos venenos... Ainda assim, o amor fica.

Eu o conheci quando estava pronta. Sem traços dos antigos erros. A mente relutou, mas meu coração o reconheceu de primeira. Minha alma o recebeu como quem andou separada de ente tão querido por um lapso muito grande de tempo, talvez eras. Nunca acreditei nas possibilidades de outras vidas, mas como explicar a sensação de familiaridade no teu abraço, no teu cheiro, na tua presença? Será mesmo que já não vivemos isso? Eu que andava sempre tão por mim mesma, já nem sei ver o mundo sem estar de mãos dadas contigo.

O amor me veio quando eu estava de alma limpa para entender o que é amor. Veio por que minha vida precisava de ti para ter mais sentido. Veio para me dar norte. Veio... e, talvez, tenha estado comigo a vida inteira aguardando a hora de nos apresentarmos por inteiro. E agora que nos achamos, quero permanecer contigo por toda a jornada, ser tua luz quando tudo mais for escuro. Quero ser a mão sempre estendida, o conforto, a prece e o riso da tua vida. Quero ser o que você é para mim todos os dias. Eu te amo, simples assim.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Nem todo brilho é ouro



Viver bem consigo mesmo é uma arte. Nem sempre a vida imita a arte. O que meus passos ao longo do caminho me ensinaram foi a difícil tarefa da aceitação. Ninguém precisa ser um ideal humano. Eu gosto de quem sou. Em mim mora a imperfeição, o erro e o engano. Mas não dou guarida à frustração de um objetivo inalcançável. Vou até onde minhas forças me levam. Meus atos podem ser falhos, porém, sinceros.
Aceito quem sou. Procuro melhorar. Porém, respeito meus limites. Só eu sei o que pode me fazer bem e o que pode me derrubar. Ao bem, meu foco. Ao mal, minha distância. Por amor a mim mesma desfaço os nós dos convívios forçados e fingidos. Não necessito da mão que ajuda enquanto a boca me desgraça. Rejeito a amizade dissimulada, o pseudo amor e o veneno destilado.
Sou o que sou sem esforço. Mantenho-me arisca, o mundo anda um perigo. Mais tranquilo é um único coração amigo do que uma centena de falsos sorrisos.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Desamor


O desamor é um dia cinza no céu de verão.
É um sorriso amarelo de mera educação.
O desamor é uma festa que acaba.
É a bola de sorvete que caiu no chão.
O desamor é um palhaço triste.
É um choro silencioso.
É sentir que o caminho acabou e ninguém chegou ao destino.
O desamor é um ponto final seco e árido depois de todas as palavras terem sido ditas.
Desamar é deixar que a vida leve o que não teve força para ser amor.

É mais que isso! É um desistir-se.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Com quem você iria para a guerra

Com quem você iria para a guerra?
Acho interessante a pergunta, pois é muito difícil alcançar a resposta. Em uma situação concreta de ir à guerra, quem eu gostaria que estivesse ao meu lado? Com quem eu arriscaria avançar no campo inimigo, enfrentar o bombardeio ou compartilhar vitória e derrota? A quem confiaria meu armamento, minha coragem, meu medo? Para quem iria confessar a dor, a pequenez do ser e a miséria emocional? De quem poderia esperar que me defendesse do tiro certeiro, da emboscada e do erro? Quem aceitaria cavar trincheiras, passar fome, frio e cansaço sob a incerteza de que tudo vai dar certo?
Afinal, quem é essa pessoa que eu escolheria para dividir a dúvida de vida ou morte?
Talvez essa deva ser a pergunta de todos os dias.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Os iguais apenas se repetem

Quem precisa ser igual ao outro sente o desapreço na sua própria peculiaridade.
Não se firma em si mesmo quem vê no alheio a única matriz de felicidade. 

Construo minha casa sob alicerces sólidos, conquistados com as durezas de encarar todos os dias quem se é.
Se fujo de mim, por certo que não me demoro. Logo tenho saudades de ser essa existência imperfeita, entretanto, prazerosa. 

Alguns dias deleito-me sob a sombra da minha evolução. Em outros, recolho-me da pretensão. 

Sigo construindo-me vez por vez. Recebo de cabeça erguida a flecha mal intencionada de palavras ditas amigas. Afasto de mim o olhar julgador que dispara em minha direção. 

Não me movo em reação. Espero... pois sempre chega o dia de ver a casa destes senhores das verdades ruir ao chão. 

Eis que observo e nada digo daquilo que fala por si. Não importa o quão vil é o metal, ele acaba sempre encontrando algo para seu preço.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Eu não sei ser princesa

Eu não sei ser princesa, mas sempre quis viver meu conto de fadas. Às vezes falo palavrão, fico de porre, desço do salto, perco a vergonha na cara e a educação. Tenho meus dias ásperos em que desisto de ser rosa e visto-me de espinhos. Mas existem dias e... existem outros dias. 
E um dia te conheci. Foi quando a vida ficou melhor que o conto. Quando resolvi trocar fadas por flores. Foi quando descobri que príncipe encantado não supera um homem de coração largo. Nenhum castelo é maior que teu abraço.
Um dia saí da fantasia e fui viver o real. Em um dia assim te descobri. Por dias assim que quero viver para sempre, ainda que felicidade seja uma montanha russa. Gostar de alguém é, antes de mais nada, deixar alguém gostar de você também.


quinta-feira, 7 de maio de 2015

Do vencer e outros mistérios

Acontece todos os dias, com milhares de pessoas pelo mundo. Acontece do outro lado do continente, ou do outro lado da rua. Acontece enquanto passa a telenovela, enquanto alguém ouve música. Acontece para quem está aguardando o ônibus depois de um dia cansativo de trabalho. Acontece para quem saiu para comprar pão. Acontece enquanto houver gente vivendo. 

Mas, afinal, o que foi que me aconteceu? Apenas a vida transcorrendo com um sentimento de vitória. Por que sempre considerei que vencer é estar vivo enquanto o segundo passa pelo ponteiro do relógio. A vitória mora nos detalhes do que fazemos diariamente. 

Eu não descobri a cura para nenhuma doença, não elaborei nenhuma teoria brilhante, nem construí obra memorável para a humanidade. Aliás, meu pequeníssimo passo não faz cócegas nos passos que direcionam a humanidade. Mas hoje fui vitoriosa. Por que, como disse, a vitória mora nos detalhes de um dia vivido sem pressa de ser grande. Vivido na paciência dos passinhos de formiguinha, de erguer um tijolinho após o outro. De saber olhar o céu e esperar a chuva, de esperar a água ensopar a terra, de esperar a semente brotar, de esperar a planta crescer e, finalmente, colher o fruto.

Hoje entendi que vence melhor quem acredita em si e não quem acredita no que se fala por aí. As atitudes grandiosas que me perdoem, mas os gestos mais insignificantes é que dizem do que somos feitos.

Enquanto isso... saboreio meu fruto colhido.