quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Das cores!

Quanta euforia na virada de ano! É como se você fosse se livrar de uma roupa velha que não te serve mais.
Todos vestindo a tal esperança, a fé e a necessidade.
Hora de superstição. Escolha a cor e o significado. Então você declara para quem está por perto o que te faltou no ano que finda.
O discreto vai de branco, disfarçando a carência naquela roupa íntima vermelho-paixão.
E quem declara a ambição em um amarelo da cabeça aos pés.
Azul é para quem procura explicação em planos mais elevados, sobre as coisas mais mundanas.
Rosa para os sonhadores.
Do verde, do lilás, do laranja, enfim.... escolha sua necessidade.
O certo é que o tempo não vai parar e dizer que dali em diante será tudo como você quer.
Persiga este arco-íris que é a vida. Persista!

Seja feliz em 2011, 12, 13, 14,...

domingo, 26 de dezembro de 2010

"Por Onde Andei - Nando Reis"

Longe

Transcende... avança... passa.
Meu corpo grita seu nome.
A mente te alcança.
Te quero sem demora.
Não toco em você.
Ainda assim está aqui.
Palpável no que sinto.
É doce seu nome na boca.
Te quero agora.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O muro!

O que é do outro é melhor. 
Não apenas a grama é mais verde do lado de lá. 
Também o ar que se respira é mais puro. 
E o solo é mais fértil. 
As coisas do lado de lá da cerca que nos divide.
As coisas daqui não brilham mais.
O que tomei posse perdeu o encanto no momento que tornei meu.
Tudo voltará a ser apenas átomo.
Eu quero o outro lado da cerca. 
Mas não tenho coragem de derrubá-la. 
Preciso possuir. Nesta ânsia, nada mais sou do que possuído.
Por quê é tão dourado o sol de lá? 
Faço-me céu escuro. Durmo. 
Sonhos de dono do mundo.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O oposto

Duvido do equilíbrio.
A serenidade transtorna-me.
Se chego ao norte, já quero estar no sul outra vez.
Um rosto bonito me deixa com saudade da imperfeição.
Nenhum "eu te amo" é completo sem a dúvida.
Amarro-me a lugares que ainda não visitei.
Na chegada já desejo o retorno.
Duvido do equilíbrio.
Duvido de mim em todos os momentos.
Mas vivo melhor sem a certeza do ato.
Vivo apenas pelo fato.
E me satisfaço.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Foi assim...

Ali havia sorriso, havia esperança, havia a vida.
Era criança querendo brincar.
Não houve tempo para todas as brincadeiras, para todas as risadas, para todos os abraços.
Nos conformaremos.
Mas hoje não.



Em memória a Cristian Zancan...

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Um certo Álvaro de Campos...

ODE MARÍTIMA
"Ah, quem sabe, quem sabe, Se não parti outrora, antes de mim,
Dum cais; se não deixei, navio ao sol Oblíquo da madrugada,
Uma outra espécie de porto?  
Quem sabe se não deixei, antes de a hora
Do mundo exterior como eu o vejo  
Raiar-se para mim, Um grande cais cheio de pouca gente,  
Duma grande cidade meio-desperta,  
Duma enorme cidade comercial, crescida, apopléctica,  
Tanto quanto isso pode ser fora do Espaço e do Tempo?"

Para frente...

Eu não sei quanto a você, mas eu sigo em frente...
Voltar não é possível e as paralelas da vida estão apenas na imaginação.
O caminho é único, adiante!
O que você faz aí parado e pensativo?

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A necessidade

Sujeito acorda pela manhã e vai até o banheiro. Joga água no rosto e passa os dedos pelo cabelo. Sonolentamente se vê no espelho.
Analisa o estrago que faz acordar o corpo enquanto a mente ainda dorme.
Ele sorri.
Deseja um bom dia para a imagem embaçada. Chega a pensar "quem é este otimista aí?". Não o conhece.
Vai ao trabalho como se fosse para a própria crucifixação. Começa a luta. Sorri para o porteiro, sorri para o guarda de trânsito, sorri para os colegas, sorri, sorri...
Por dentro é seco, árduo, cansado.
Ninguém pode saber. Leva-se muito tempo para criar uma fortaleza.
Passa o dia agradando a todos. Sendo gentil, educado mesmo quando o chefe lhe chama de incompetente. Resigna-se a duas frases: "Desculpe-me" e "Obrigado!".
Acaba o dia, não acaba a frustração.
Mas antes de dormir ainda pensa que amanhã ele vai fazer diferente. Mas só amanhã por que hoje já não há mais tempo.