Depois de duas cervejas que encontrei na geladeira, mudei os canais na tv mais por instinto do que por vontade. Deixei o quarto à meia luz e preparei a mente para relaxar. Foi quando detive-me em um canal de filmes antigos onde passava Kramer Vs. Kramer, filme que eu sempre gostei.
O drama do filme sempre me comoveu. Basicamente o desespero é o que circula pela história. Desespero pela manutenção do amor, a permanência do amor. Foi a primeira vez que pensei naquela história e me vi. Quando se é muito jovem, a visão que temos de amor é de Romeu e Julieta. O amor não é o que sempre vence, mas é o que faz tudo se mover.
Amor de família, amor de casal, amor de amigos, amor de coisas, até amor de momentos. Quem não vive o amor, não vive.
Sempre fui longe no que me causava entusiasmo. Como espremer limões, tirando todo o sumo possível da fruta. Alguns podem me chamar de impulsiva. E já ouvi até quem dissesse que me admirava por isto. A mim não interessa o rótulo, o efeito que causa nos outros. Esta sou eu vivendo, apenas.
E como os Kramer, em luta pelo filho no filme, eu me desespero. Se eu amo, eu quero poder dizer, eu quero estar, eu quero viver o que amo.
Que ninguém me condene por querer tudo agora. Pois o agora é o que estou sentindo. Então, que ninguém me peça para esperar. Por que sentimento só deixa sabor doce de lembrança se for bem vivido.
sábado, 22 de outubro de 2011
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Maratona
O convite era simples e de resposta fácil: sim ou não. Mas da pergunta à resposta, percorri uma longa distância. Parti devagar para manter o folêgo já sabendo que não seria fácil.
Aquela teoria de que a menor distância entre dois pontos é uma reta só não vale para pessoas. Pessoas complicam tudo. E quanto mais racionais alegam ser, mais difícil é chegar a um bom resultado. A racionalidade cai bem nas máquinas. Às pessoas, cabe a intuição. É onde o "feeling" age que tudo se encaixa bem.
Mas fui em frente, guiada pelo instinto. Quando avistava a chegada, eis que surgiam curvas, desvios que superei respirando fundo. Por algumas vezes quis desistir, aceitar o não. Mas a certeza de que o sim seria o melhor, prossegui. Gastei o latim em argumentos que nem eu mesma entendi.
Enfim, venci a maratona! Cheguei cansada, emocionalmente retalhada mas, cheguei. E agora, olhando de novo para o percurso feito, percebo que o ponto de largada e o ponto de chegada estavam a um passo um do outro.
No mais, pessoas são assim.
Aquela teoria de que a menor distância entre dois pontos é uma reta só não vale para pessoas. Pessoas complicam tudo. E quanto mais racionais alegam ser, mais difícil é chegar a um bom resultado. A racionalidade cai bem nas máquinas. Às pessoas, cabe a intuição. É onde o "feeling" age que tudo se encaixa bem.
Mas fui em frente, guiada pelo instinto. Quando avistava a chegada, eis que surgiam curvas, desvios que superei respirando fundo. Por algumas vezes quis desistir, aceitar o não. Mas a certeza de que o sim seria o melhor, prossegui. Gastei o latim em argumentos que nem eu mesma entendi.
Enfim, venci a maratona! Cheguei cansada, emocionalmente retalhada mas, cheguei. E agora, olhando de novo para o percurso feito, percebo que o ponto de largada e o ponto de chegada estavam a um passo um do outro.
No mais, pessoas são assim.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Uma fogueira para as vaidades
Quanta vale uma opinião? Nada. Ou tudo. É sempre o outro que confere valor.
Dia destes externei o que pensava, algo como o comentário do comentário. Simples assim, como se faz a todo momento pelas tantas redes sociais. Fui recebida pela hostilidade. Bem feito para mim. Antigamente, era educado opinar se solicitado ou, ao menos, subentendido isso.
Mas, se por um lado, o mundo virtual abriu possibilidades de interagir, trouxe consigo a velha lei "para toda ação haverá uma reação".
Estava elaborando o contra-ataque quando me deparei com a desnecessidade da revolta. Não estava eu apenas reagindo a uma opinião anterior? E agora indignada com a reação da reação.
Mas afinal, aí mora a interação. E ela não é feita apenas de troca de informações combinantes. Mas é na diferença que se cresce. Uma outra visão do mesmo objeto que pode mudar minha atitude.
Percebi a banalidade que sobrecai nos debates. Seja a respeito da cor de roupa que devo usar até a quem devo destinar meu voto.
Eu não preciso ter opinião sobre tudo. Não é toda opinião que precisa ser externada. E, na maioria das vezes, eu realmente não me interesso pelo que o outro pensa sobre o que eu penso.
Retiro-me solenemente desta batalha virtual em que não há vencedor. Apenas egos degladiando-se por audiência. Quero um pouco mais da boa e velha educação. Avance comigo à medida que eu avançar, e vice-versa. Não precisamos concordar em tudo, apenas respeitar nossos pontos de vista.
Dia destes externei o que pensava, algo como o comentário do comentário. Simples assim, como se faz a todo momento pelas tantas redes sociais. Fui recebida pela hostilidade. Bem feito para mim. Antigamente, era educado opinar se solicitado ou, ao menos, subentendido isso.
Mas, se por um lado, o mundo virtual abriu possibilidades de interagir, trouxe consigo a velha lei "para toda ação haverá uma reação".
Estava elaborando o contra-ataque quando me deparei com a desnecessidade da revolta. Não estava eu apenas reagindo a uma opinião anterior? E agora indignada com a reação da reação.
Mas afinal, aí mora a interação. E ela não é feita apenas de troca de informações combinantes. Mas é na diferença que se cresce. Uma outra visão do mesmo objeto que pode mudar minha atitude.
Percebi a banalidade que sobrecai nos debates. Seja a respeito da cor de roupa que devo usar até a quem devo destinar meu voto.
Eu não preciso ter opinião sobre tudo. Não é toda opinião que precisa ser externada. E, na maioria das vezes, eu realmente não me interesso pelo que o outro pensa sobre o que eu penso.
Retiro-me solenemente desta batalha virtual em que não há vencedor. Apenas egos degladiando-se por audiência. Quero um pouco mais da boa e velha educação. Avance comigo à medida que eu avançar, e vice-versa. Não precisamos concordar em tudo, apenas respeitar nossos pontos de vista.
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Urgências
Era apenas mais uma segunda-feira, com tudo igual a que se tem direito.
Mas já começou tudo torto. Saí atrapalhada do sono tranquilo para chegar atrasada ao trabalho.
Pula a parte do café da manhã, pula a parte de me espreguiçar antes de ligar o computador, pula a parte de abrir a janela e dar oi aos pombos na árvore em frente.
Corre relógio e eu tentando alcançar.
Alguém quer conversar ao telefone e eu apenas digo: estou sem tempo. Alguém quer contar algo engraçado pelo MSN e eu mudo o status para "ocupado". Tão logo termino uma montanha de papel na mesa e outra surge imediatamente, reproduzem-se para meu desespero.
Ligo para casa, ninguém atende. Quero pedir uma carona mas todos no trabalho já foram embora. Eu nem noto o corredor escuro.
Por onde ando quando não estou comigo?
Cruzo ruas e semáforos em qualquer cor. Preciso fazer coisas importantes, dessas coisas que não farão nenhuma diferença na vida, mas naquele momento sim.
Peregrino na pressa. Tudo urge. Os minutos são flechas em minha direção. Eu corro.
Talvez eu apenas fuja. E fico assim, em lugar seguro escondida de mim.
Mas já começou tudo torto. Saí atrapalhada do sono tranquilo para chegar atrasada ao trabalho.
Pula a parte do café da manhã, pula a parte de me espreguiçar antes de ligar o computador, pula a parte de abrir a janela e dar oi aos pombos na árvore em frente.
Corre relógio e eu tentando alcançar.
Alguém quer conversar ao telefone e eu apenas digo: estou sem tempo. Alguém quer contar algo engraçado pelo MSN e eu mudo o status para "ocupado". Tão logo termino uma montanha de papel na mesa e outra surge imediatamente, reproduzem-se para meu desespero.
Ligo para casa, ninguém atende. Quero pedir uma carona mas todos no trabalho já foram embora. Eu nem noto o corredor escuro.
Por onde ando quando não estou comigo?
Cruzo ruas e semáforos em qualquer cor. Preciso fazer coisas importantes, dessas coisas que não farão nenhuma diferença na vida, mas naquele momento sim.
Peregrino na pressa. Tudo urge. Os minutos são flechas em minha direção. Eu corro.
Talvez eu apenas fuja. E fico assim, em lugar seguro escondida de mim.
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Do Universo
Jamais tive interesse pelos números e dúvidas que levaram Einstein ao status de gênio. Mas entendo perfeitamente isto de espaço-tempo relativo.
Na maior parte do tempo esqueço de olhar para as estrelas. Mas, aqui embaixo, onde há gravidade e toda ação tem uma reação, compreendo o que aquele cara de cabelo maluco tentou explicar.
Meu universo tem o tamanho que eu imagino. O universo do vizinho também. E, algumas vezes, entram em colisão.
Crio planetas por conveniência e deixo que orbitem em torno de mim. Por vezes, sou mero satélite necessitando da luz de alguém. Nunca sei de onde surgem os meteoros que me atingem mas rebato-os para viver.
Faço guerra galáctica com seres estranhos para mim. Meu espaço é elástico, movimenta-se por vontades e sonhos. E o tempo é conceito casual. Minhas horas passam rápidas ou lentamente de acordo com meu humor.
Somos universo inteiro e poeira cósmica ao mesmo tempo. Tão grandes em prepotência e pequenos em humildade. Mas, simplesmente somos.
Na maior parte do tempo esqueço de olhar para as estrelas. Mas, aqui embaixo, onde há gravidade e toda ação tem uma reação, compreendo o que aquele cara de cabelo maluco tentou explicar.
Meu universo tem o tamanho que eu imagino. O universo do vizinho também. E, algumas vezes, entram em colisão.
Crio planetas por conveniência e deixo que orbitem em torno de mim. Por vezes, sou mero satélite necessitando da luz de alguém. Nunca sei de onde surgem os meteoros que me atingem mas rebato-os para viver.
Faço guerra galáctica com seres estranhos para mim. Meu espaço é elástico, movimenta-se por vontades e sonhos. E o tempo é conceito casual. Minhas horas passam rápidas ou lentamente de acordo com meu humor.
Somos universo inteiro e poeira cósmica ao mesmo tempo. Tão grandes em prepotência e pequenos em humildade. Mas, simplesmente somos.
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