sábado, 12 de maio de 2012

Ausência

De repente você se pega sentindo falta daquela pessoa. Depois de um bom tempo! Um tempo que, dizem por aí, é suficiente para esquecer.
De repente a ausência fica grande. Quase gigante a te devorar!
Eu sinto ausência. Todos os dias e a cada dia mais. Eu não disse o quanto sentia, nem o que me cabia na desculpa. Eu disse o amargo, o que era fardo. Nem era o que realmente ia em mim.
Gostava de falar, de ter assunto, ainda que inútil, mas sempre tinha o que se dizer.
Sinto saudade. Sinto o que achei que fosse fácil sobrepor. Não deveria sentir, dizem por aí. Mas, dizem muitas coisas por aí, e meu coração eu nunca ouvi.
Não tenho voz. Eu tenho saudade. Talvez daquela afinidade, da vontade, da amizade. Eu sinto a falta. Nenhuma correspondência. Não é para mim como tem sido para o outro lado. Por enquanto, apenas ausência.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Todas somos um pouco Dorothy

Eu já fui a garotinha brincando, de pés descalços na rua. Eu já tomei banhos de chuva. Fui travessa, marota... garota.
Um dia encontrei uma certa mulher. Tinha um olhar cortante que desafiava sem nada dizer. Cabeça erguida sustentada por ombros muito decididos. Ela sabia, simplesmente sabia-me. 
Tive medo dela. Às vezes, apenas medo.
E a brincadeira parou. A rua ficou vazia. Então eu pude ver.
No início era sombra, borrão de imagem, confusão talvez.
Mas ela veio até mim. E, no espelho, entendi. Não era ela, era eu ali. 
De repente, fiquei apenas lembrança de mim. Foi-se a menina. Ficou a mulher.