segunda-feira, 24 de setembro de 2012

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

La Vendetta


A privacidade morreu. Saudade de quando um número de telefone era usado para comunicar e não para enlouquecer pessoas. Ficou pior com a chegada do celular. Alvo da minha queixa: empresas de telemarketing.

Quem nunca recebeu ligações inconvenientes e persistentes, seja no celular ou no telefone de casa? Para uma empresa de telemarketing, não existe tempo ruim, momento inapropriado ou exagero na insistência. Não adianta ignorar a ligação. Eles vão te ligar o dia inteiro, incansavelmente. É melhor atender logo. Também não adianta explicar que você não quer cartão de crédito, pois já nem consegue pagar os que possui. 



Não importa se é domingo de manhã ou uma sexta-feira na hora do jantar. O telefone vai tocar e é melhor, para seu próprio bem, atender. Já notei que existe um tipo de vingança contra os que se recusam. Certa vez, depois de muita luta, exigi de uma empresa que retirasse meus números desse tipo de cadastro, pois jamais eu havia autorizado nem repassado minhas informações a eles. Fui atendida. Recebi, inclusive, um número do protocolo da minha solicitação. Quase chorei de emoção, pois estava me livrando de um transtorno que vinha há meses ocorrendo. Algumas horas depois (sim, somente algumas horas depois), os telefones celulares de meus familiares começaram a tocar: era a maldita empresa! Deixaram de me ligar e passaram a ligar para quem estava à minha volta. Acho que nem a máfia seria tão vingativa assim!

Eu não ficaria tão chateada e incomodada em atender este pessoal, afinal, essas empresas pagam o salário de pessoas que precisam sustentar suas famílias. Mas eu gostaria de mais respeito. Gostaria de ter minha privacidade de volta sem ter que pagar pelo resgate adquirindo uma porcaria de produto qualquer. Gostaria de não precisar desligar meu próprio telefone quando algumas dessas empresas resolvem me telefonar mais de 20 vezes no mesmo dia. Gostaria que respeitassem horários de descanso e feriados.

Mas enquanto sonho com isso, sigo me esquivando como posso e fazer a única coisa que me resta: comprar de quem não me liga.

sábado, 1 de setembro de 2012

Solidão não é deserto

Agora vamos falar de coisa boa, vamos falar de solidão. Isso mesmo! Que palavrinha temida e desrespeitada! Por muito tempo eu a equiparei à própria morte. Talvez pior que a morte (pois dessa, quem é vivo nada sabe), já que solidão é associada à rejeição, ao fracasso, à tristeza. 

Mudei minha visão a respeito dela. Criei certa afeição pela palavra. Pois tantas vezes vim a estar em estado de solidão mesmo na companhia de tanta gente. E mais outras tantas vezes, a desejei acima de tudo. Como temer a solidão se nos servimos dela a qualquer momento?

Famigerada solidão, é o que pensam os amantes. Mas, mesmo o amor precisa de solidão para não esgotar. Ainda que seja aquele momento só seu para ler um livro, para ouvir aquelas músicas que só você gosta, para andar de pijama e cabelos desgrenhados sem sentir culpa, ou ter um momento para pensar sem interferências externas. 



Solidão comparada ao deserto. Uma longa jornada sem ninguém para conversar, sem o afago, sem o porto seguro nos tempos de aflição. 

Estar sozinho é bom, é produtivo. Também é preciso afastar-se para enxergar o todo, ampliar o horizonte. Prosseguir no isolamento é decisão de cada um. Culpar aos outros por manter-se assim é despreparo de vida.