quarta-feira, 27 de junho de 2012

Da Influenza

Tenho me preocupado com opiniões. Uma opinião que é minha, quando externada já não me pertence. Não tenho o domínio, não posso mais a submeter ao confinamento da minha mente. 

É quase como um vírus. Pode virar uma epidemia ou morrer sem ninguém notar. Influenza. Opinião não deveria ser a mãe da discórdia, da confusão. Tão pouco deve existir uma opinião sobre tudo. Reservo-me o direito a não opinar sobre várias coisas, pura e simplesmente porque desconheço. 

Tenho desconfiança nesta tal sabedoria embutida vendida a rodo pelos que opinam sobre tudo. Por vezes, estou do lado de lá, metralhando a mente alheia com o meu modo de pensar. Depois, paro e acho feio. Ressaca da opinião. 

E tantas pessoas agredidas assim! Porque alguém usou mais do que a liberdade de expressão e encontrou parceiros no"achismo". O que um grupo pensa, vira arma. Cabe a mim decidir se serei mais uma pessoa a puxar o gatilho. 

Opinião que não serve para construir, é o que se vê pelas esquinas. Contamina, passa de um para outro sem demora. É água poluída matando mais que apenas a sede. Evito.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Amor em desuso

Foi comprando o último par de sapatos que me veio a questão: transferência de titularidade do sentimento. Ando tão cheia de alguns sentimentos que gostaria de poder transferir a outrem.
Sinto-me sem tempo para todo este sentir em vão. Porque nada é mais inútil que ter um sentimento que não vai para ninguém. Feito aquele sapato que, talvez, vá ficar esquecido na caixa por um longo tempo. Um dia, no meio de um surto de Amélia, farei a faxina que vai decidir o destino do sapato: ainda meu ou de outro alguém.
Assim vejo o que vai em meu coração. Um amontoado de amor sem uso. Então, seria bom poder fazer o inventário do que sinto e transferir a quem lhe dê melhor destino. Preferiria compartilhá-lo no abraço, no beijo, no olhar do meu amado. Mas, o amor que não amo precisa de outro lugar para morar que não seja na caixa de sapatos.