sexta-feira, 17 de agosto de 2012

A Metade


O meu copo está meio vazio. Tenho andado pessimista. Meu olhar endurecido e impaciente. Trago na voz o sarcasmo para amenizar o peso das coisas da vida. Meu copo está meio vazio.

Sento-me no bar e já não bebo meu drink preferido. Ouço a música e meu corpo pede inércia. Estou sem ritmo. Parada na estrada da vida, como quem pede carona aceitando qualquer destino.

Cansada de pessoas todos os dias. Acho um fardo esta tal alegria vendida, surrupiada dos bolsos de um bêbado distraído. Não encontro o sorriso genuíno. Sentimentos desonestos trancados nas salas de escritórios. Vejo gente e não vejo ninguém.

Sim, queria transbordar meu copo meio vazio. Ou esvaziá-lo com a sede dos andarilhos. A boca entreaberta, duvidosa quanto ao sabor, não avança. E tudo que faço é permanecer.

Parece um mar de pequenos diamantes, mas são as luzes da cidade ficando mais distante. Afasto-me para ver o todo. Um todo cada vez mais nada. Queria ser parte de alguma parte. Mas flutuo. Livre, meio livre. Sou eu ou é o copo que está meio vazio?

3 comentários:

  1. Ando me questionando, e muito, sobre tudo que escrevestes. Sinto estar em um labirinto, perdida. Beijos.

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  2. Majoli, questionar é o primeiro passo para encontrar a saída! Obrigada pela visita!

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