Há a desigualdade social para os cães. Aprendemos a domesticá-los para nos serem parecidos. Uns saciando-se ao filé mignon. Outros, nem o osso para mentir ao estômago.
Exigimos do cão total lealdade. Se desobediente, o castigo. Mas não somos capazes de sermos fiéis até mesmo aos nossos sentimentos. Seríamos exemplos?
O cão vem solicitar o afago merecido e retribuir em lambidas carinhosas. Achamos inconveniente e até nojento.
Mostramos que ser feroz e indiferente é mais importante.
A espécie dominante é racional. Temos veículos que nos levam a outros lugares, mas apenas os cães apreciam o passeio. Resmungamos da janela aberta. Ar condicionado, pensamos. Vento, é o que deseja o fiel amigo.
Os cães marcam territórios urinando em postes e pneus de carro. Nós demarcamos limites com armas de fogo em nome de coisas que nem fazem sentido.
Partiremos todos algum dia. E, se outra vida existir, que cada um tenha sua vida de cão merecida.

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