terça-feira, 24 de julho de 2012

Enquanto chovia...


Chove...e corro pela rua desviando das poças e das pessoas. Abrigo-me de forma desajeitada debaixo de uma marquise. Na vitrine, meu reflexo. Tento realinhar a rebeldia do cabelo, é inútil. Arrisco mais passos adiante. Por quê o outro lado da rua ficou tão distante? Um pingo de chuva em meu rosto imitando uma lágrima. 

Ninguém repara no céu cinzento em um dia assim. Eu olho atentamente para a calçada, escolhendo onde pisar. Prossigo nos meus afazeres. Mexo na bolsa procurando alguns papéis. Por um segundo, arrependida de levar coisas demais comigo. 

Continuo caminhando. A chuva aperta. Já consigo ver o carro no outro quarteirão. Apresso-me. Penso em mil coisas importantes que tenho para fazer. Tão importantes! Agora, ocupada demais tentando vencer o tempo, não noto aquele rosto escondido debaixo do guarda-chuva. Não noto que alguém esbarrou em mim e pediu desculpas sorrindo. Eu estava em outro lugar que não em mim quando o amor falou comigo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário