quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Das confissões



Então é Natal... E só se fala em promoção, em comprar, em gastar, em dinheiro, para o dinheiro...

Sou do tipo de pessoa que adora as festas de final de ano, o clima de euforia-alegria-expectativa. Gosto de enfeitar a casa, de planejar a ceia. Gosto tanto desses preparativos que talvez devesse me chamar Natalina (ok, menos!). 

Então você caminha pelas ruas e vê o Natal anunciado nas vitrines. “Três por dez!”, berra o ambulante. Você se convence de que a data é só mais uma gritaria sobre o valor monetário de todas as coisas.

As crianças de hoje não sabem o que é o Natal. Apenas contabilizam as possibilidades de presentes que vão ganhar. E jogam-se ao chão entre lágrimas forçadas para persuadir adultos desorientados a lhes dar o que querem. 

As luzes de Natal nem brilham, nem piscam, nem colorem mais, apenas vendem. A tudo se deu um preço. E transformaram-se sensações em números, em códigos de barras. Distanciando-se do campo das crenças, muito além de uma data do calendário cristão, o Natal é um dia para lembrarmos como poderíamos ser melhores o ano todo. 

Inevitável pergunta: por que ainda acredito no Natal?

Tenho uma lembrança tatuada na memória. Foi no Natal de 1986. Eu já estava naquela idade em que o encanto havia sido desfeito e o tal do Papai Noel desacreditado. Então, na noite de véspera, com a casa repleta de pessoas queridas, ele entrou pela porta da frente. Sem anúncio, apenas o “Ho, ho, ho!”. Esqueci até de respirar. Corri para um abraço cheio de alegria. Papai Noel estava ali! De roupa vermelha, barba branca e cheio de presentes. 

Fiquei ao lado dele por um longo tempo. E, mesmo o flagrando puxar a barba para beber em um copo de cerveja, mesmo reconhecendo nele os olhos e nariz do meu tio, mesmo sabendo que o presente havia sido comprado pelos meus pais, mesmo assim eu estava feliz. Apesar de tudo indicar a realidade, foi a magia do instante que sobreviveu. E é essa magia que levo comigo para lembrar que somos sentimentos e não apenas números.

Sim. Meu nome é Lígia, tenho 35 anos e acredito em Papai Noel.

Nenhum comentário:

Postar um comentário