domingo, 3 de abril de 2011

Arrisco-me!

Há uma palavra que me causa medo.
A este medo chamo de Tempo.
Tem na pronúncia o som do trovão.
Costuma chover lento e manso.
Mas, profundo, engana-me.
De longe, parece sopro.
De perto, é vendaval.
Está no caminho que passou.
Ainda é caminho que ando.
Será sempre caminho a ser.
Tenho medo.
Arrisco-me.

sábado, 2 de abril de 2011

Desejo

Foi em um momento à toa que olhei aquela foto e eu quis.
Como se quer o sol à beira do mar.
Como se quer a água durante a sede.
E fui querendo e querendo ainda mais.
Pensamento fixo.
Único verbo a conjugar.
Depois ouvi a voz naquele recado gravado.
E quis outra vez.
Do jeito que se quer brisa num dia de calor.
Do jeito que se quer carinho diante da tristeza.
Então eu toquei a pele e senti o gosto numa noite de verão.
Veio o arrepio, o abalo na estrutura e desmoronei.
Permaneço no desejo.
Feito pássaro que deseja o céu.
Feito criança que deseja o riso.
E apenas desejo assim.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Feliz TPM a você!

Ouço um som estridente, abro um olho sem nenhuma vontade, instintivamente jogo aquele pequeno aparelho eletrônico no chão.
Levanto devagar, como quem fosse ter uma segunda chance de ficar dormindo. Percebo que chove lá fora. Putz!
Caminho desgraçadamente até o banheiro, lavo esta cara de cinismo e olho no espelho. Péssima ideia! Que cabelo é este???
Tento escolher uma roupa que valorize meu corpo, confira algum charme, mas só penso em continuar dentro da camisolinha de malha com desenho infantil.
Não tenho fome, logo saio de casa e, quase na rua, lembro que esqueci a carteira. Porra!
Volto pro carro, dirijo psicopatamente, entre buzinas e freiadas grotescas. Finalmente, chego no trabalho. Merda de trabalho! Tento entrar rapidamente na minha sala, fecho a porta atrás de mim e respira mais aliviada.
Outra vez um barulho irritante perseguindo.Atendo o telefone e a voz de gralha do outro lado proferindo um bom dia escandaloso faz doer meu estômago e ter pensamentos nada cristãos.
Ainda restam umas 5 horas para acabar com isto. Onde está o chocolate quando mais preciso???
Resisto bravamente. Ok, respiro lentamente, expiro.
De repente uma mensagem no email, nada muito sofisticado, mas fez toda a diferença. E uma gota de carinho muda tudo mais uma vez.

segunda-feira, 28 de março de 2011

O caminho certo tem curvas

Passei anos construindo minha estrada, feito aranha tecendo a teia na busca de viver. 
Carreguei comigo lembranças obsoletas que pesaram na mala. 
Cada passo e cada grão de areia no sapato contando minha história.
Pensei já ter alcançado meu oásis, meu paraíso.
Veio um vento forte e misturou todas as coisas, apagando minhas pegadas.



E num lampejo estou diante de escolhas.
Cada porta é uma nova chance de recomeço.
Cada porta é um sacrifício de outros recomeços diferentes.
Fico diante delas tentando advinhar, esperando um sinal.
Quero seguir adiante, mas por qual caminho?



Fecho os olhos e deixo a mão alheia ser meu norte.
Sou bússola sem ponteiro, mapa sem desenho.
Um sopro do acaso me carrega adiante.
Abro os olhos, te vejo. Abro a porta, me entrego.
Coração itinerante, sem pressa de chegar.

domingo, 13 de março de 2011

Das Condições

Pedi a salvação e me foi concedida. Mas eu queria sob meus termos, então nada aconteceu.
Pedi por amor e me foi concedido. Mas eu queria que fosse eterno, então ele acabou.
Pedi por carinho e me foi concedido. Mas eu queria apenas receber, então não se repetiu.
Pedi por amizade e me foi concedida. Mas eu queria sem retribuição, então se foi.
Pedi por todas as coisas que me fizessem mais feliz e tudo me foi concedido.
Mas o tempo... ah! o tempo... não há segunda chance para o mesmo momento.