segunda-feira, 2 de maio de 2011

Quando for tarde

Tinha meus olhos nos teus.
Minha mão em tua pele.
Minha boca com seu sabor.
Era tua inteiramente.
Mas só soube disso depois,
Quando, já muito tarde,
Virei a esquina daquela rua.
Indo embora em silêncio
Sem nada mais a lembrar.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Instruções de Uso

MULHER

1. Retire a embalagem com cuidado, pois o vestido novo foi uma pechincha de grife.
2. Verifique se todas as partes estão encaixadas corretamente (observe o alinhamento dos peitos siliconados).
3. Se o seu modelo é o Gatinha Manhosa 2.2 não esqueça de inserir algumas doses de vinho enquanto vocaliza palavras carinhosas.
4. Se o seu modelo é o Mulher Total 3.0, é só dar a partida sem gasto de tempo.
5. Evite o uso inadequado sem que a luz verde esteja acesa.
6. É recomendado o uso de frases com alto poder de elevação do ego.
7. Virar para o lado e dormir pode causar choque.
8. Após reembalar, não esqueça de inserir na memória o número de telefone para contato futuro.
9. Para o máximo desempenho de seu modelo, aguarde 3 dias para fazer uso do telefone.
10. Em caso de surto, é recomendado colocar na geladeira até que se reestabeleça o sistema.
11. Não é possível fazer o reset do sistema.
12. O descarte deverá ser feito de maneira adequada, de modo que o modelo não volte a operar no modo "juntos para sempre".
13. Seja feliz.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Rápido demais...

Na pressa, saí de casa esquecendo um pedaço da mala aberta. Fui correndo pela rua, atrás do ônibus que me levaria embora daqui.
Corria tanto e ele, cada vez mais se distanciando.
Ouvia alguém chamando e, na pressa, não parei para ouvir.
E aquele ônibus que me levaria daqui, indo embora sem mim. Desespero.
A voz que me chamava foi sumindo e sumindo...
E então me vi sozinha numa rua comprida e sem ter para onde ir.
Olhei na mão aquela mala. Fui perdendo as coisas importantes pelo caminho.
Eu tinha pressa.
Agora só tenho a mala vazia.

domingo, 3 de abril de 2011

Arrisco-me!

Há uma palavra que me causa medo.
A este medo chamo de Tempo.
Tem na pronúncia o som do trovão.
Costuma chover lento e manso.
Mas, profundo, engana-me.
De longe, parece sopro.
De perto, é vendaval.
Está no caminho que passou.
Ainda é caminho que ando.
Será sempre caminho a ser.
Tenho medo.
Arrisco-me.

sábado, 2 de abril de 2011

Desejo

Foi em um momento à toa que olhei aquela foto e eu quis.
Como se quer o sol à beira do mar.
Como se quer a água durante a sede.
E fui querendo e querendo ainda mais.
Pensamento fixo.
Único verbo a conjugar.
Depois ouvi a voz naquele recado gravado.
E quis outra vez.
Do jeito que se quer brisa num dia de calor.
Do jeito que se quer carinho diante da tristeza.
Então eu toquei a pele e senti o gosto numa noite de verão.
Veio o arrepio, o abalo na estrutura e desmoronei.
Permaneço no desejo.
Feito pássaro que deseja o céu.
Feito criança que deseja o riso.
E apenas desejo assim.