Hoje vi o carteiro se aproximando e um sentimento de nostalgia bateu em mim. Já sabia que ele trazia em mãos apenas contas a pagar, propaganda de todo tipo e coisas assim, escritas por uma máquina, sem vida, sem emoção.
Lembrei tanto de como meu coração disparava quando via o carteiro chegar na minha rua. Ficava na janela cuidando para ver se ele tinha alguma carta a me entregar. E que sensacional era ver aquele homem atravessar a rua e vir deixar a correspondência.
Falo de um tempo que nem é tão distante. As mudanças acontecem tão rápido. Quem lembraria da última carta que recebeu? Eu não lembro nem do último scrap que deixei na página de alguém na internet.
Eu abria as cartas com tanto carinho e cuidado. Degustava as palavras sem pressa. Uma carta de amizade, de amor, de saudade, de preocupação, de boas-novas, etc. Havia tanto a se dizer em uma carta, desde as palavras até o tipo de papel, a cor da tinta da caneta, e as confissões desenhadas no cantinho da página.
Não acho que tudo mudou para melhor. Estamos cada vez mais automáticos. Mais máquina e menos humano.
Assim, "venho por meio desta dizer..."
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