segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Unidos do Império da Vaidade

Há o orgulho e o amor por si mesmo que surgem quando estamos satisfeitos por quem somos. Vem a vontade natural de que os outros nos vejam assim, triunfantes. Mas são coisas que vêm de dentro. Quando não temos muito o que trazer à tona, somos mais casca do que polpa, sumo e sabor. E, por fora, todos podemos ficar muito parecidos. Afinal, é muita estrelinha para pouca constelação.

Eis que nunca fui santa, tão pouco fervorosa praticante da fé, portanto, sem a presunção da moralidade nas minhas palavras. Apenas observo e anoto. Por vezes, chego a algumas conclusões. A mais recente delas: prazer virou obrigação social. 

No olho do furacão que é o carnaval neste país, onde já reinou absoluto o pecado da luxúria, lidera um dos 7: a vaidade. Não é  a promiscuidade que assusta os mais conservadores, é a desenfreada busca individual pela aparência perfeita. Em uma profusão de peitos, bundas e músculos, onde foi parar a alegria?

Aquela passista de sorriso amplo e pés ligeiros, mas genuína. O compasso da cuíca e o molejo atrevido do folião que passa feliz pela avenida. Não há mais o brilho da festa pagã. Já não há a fantasia. Adeus Arlequim, Pierrot e Colombina. O único trio que interessa é o elétrico! Adeus chuva de confete e purpurina. Já não desfila o carro alegórico, desfilam as barrigas tanquinho e a nudez que já nem espanta. O carnaval ficou tão normal que decepciona.

A dinastia da beleza corporal é rainha de bateria. Onde está o Bloco das Pessoas Reais? Rei Momo emagreceu para não ser deposto. O carnavalesco sangrando criatividade para se superar e aquela "modelo/atriz" foi a única coisa de que falaram. Nem falo dos carnavais de rua, de clubes ou de blocos. Tudo amarrado àquela cerveja ruim monopolizando sua sede no camarote da chatice. Aliás, estamos em tempos que até cachorro de rua é V.I.P. Desse jeito, o bom mesmo é esperar a quarta-feira de cinzas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário