segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Os dois teimosos

Estou em férias, mas não em estado de férias, ou seja, minha Mente ainda trabalha. Meu Corpo não. Esse anda apegado ao sofá de casa, todo manhoso e sonolento. A Mente, coitada, andava com a agenda cheia de coisas importantes a fazer, coisas para garantir o futuro. Havia muito o que estudar, muito o que assimilar e todas as gavetas da vida para colocar em ordem. Obcecada, chegou a escravizar o Corpo, deixando-o sem dormir, esquecendo de alimentá-lo, nem ao menos levava mais para passear. 

Costumava ser uma dupla de sucesso, chegando sempre juntos e um respeitando as vontades do outro. Mas tem tempo que a relação anda tumultuada. O Corpo já não entende mais o que a Mente anda fazendo. Ele queria ir à praia e pegar um pouco de sol, sentir o sal do mar e ter sensações novas. A Mente acha que não é o momento, é preciso fazer coisas bem mais urgentes. De tal forma que o Corpo obrigou-se a perguntar a ela: afinal, que coisas são essas das quais você sempre fala mas nunca as vejo?

E deu-se a discussão do relacionamento!

Agora estão ambos magoados. Ele se sente colocado em segundo plano. Ela acha injusto que trabalhe pelos dois. Vendo que são obrigados a permanecer juntos, optaram por ignorar um ao outro e cada qual tenta fazer o que bem entende. O Corpo se recusa a sair do sofá e a Mente insiste em torturá-lo com urgências que nem existem. Enquanto isso, em meio ao tempo perdido, levanto a inútil bandeira branca da paz. 

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