quinta-feira, 3 de março de 2016

Aqueles agentes secretos e indiscretos


Ando me perguntando se eu estou no padrão de normalidade que anda se arrastando por aí. Para alcançar uma resposta, precisei considerar muitas coisas no meu modo de encarar a vida. Precisei considerar, também, os mais diversos rótulos que ouvi ter recebido de bocas alheias. Então você pensa se tudo não passa de uma questão de vender a foto do produto ao invés do produto em si. 

A culpa deve ser minha. Afinal, eu acho, verdadeiramente, a vida pessoal de terceiros desinteressante. Eu não ligo a mínima para os fatos que são tão importantes para tanta gente. Simplesmente, não me interesso, não me desperta curiosidade, não me comove ou qualquer sentimento do tipo, saber os detalhes da vida íntima, financeira ou sexual de terceiros. A única informação pertinente para mim é quanto ao meu próprio salário, em como pagarei minhas contas, como gastarei meu dinheiro. Sim, tem gente que se ocupa seriamente sobre fazer controle financeiro com o dinheiro dos outros, pior ainda, com um dinheiro que sequer lhe diz respeito. 

Também me desinteresso pela rotina dos outros. O que fazem em seu tempo livre, o que leem, o que assistem na tv, o que falam ao telefone, o que comem, o que vestem, aonde vão e de onde vêm, o que querem da vida, a que horas saem, com quem saem, com quem voltam, em outras palavras, um sem-fim de trivialidades da vida de outra pessoa que nada me diz respeito.

Talvez eu seja excessivamente desinteressada do que não é da minha conta. Talvez eu seja a errada. Talvez, para me enquadrar nesse esquema de pequenezas, eu devesse ser mais intrometida, mais curiosa, mais invasiva e inconveniente. Sou eu que estou errada. Este meu profundo e ofensivo desinteresse agride, ofende a quem está tão dedicado a monitorar a grama alheia que nem repara que apenas erva daninha anda crescendo em seu quintal. Agride a minha não dedicação às coisas que não mudam minha vida. Agride quando alguém tem mais o que fazer do que brincar de espionagem caseira.

Mas, uma coisa há de se considerar: o que eu penso não faz nem cócegas no rumo da humanidade. Então, recolho-me à minha insignificância.

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