Ando me perguntando se eu
estou no padrão de normalidade que anda se arrastando por aí. Para alcançar uma
resposta, precisei considerar muitas coisas no meu modo de encarar a vida. Precisei
considerar, também, os mais diversos rótulos que ouvi ter recebido de bocas
alheias. Então você pensa se tudo não passa de uma questão de vender a foto do
produto ao invés do produto em si.
A culpa deve ser minha. Afinal,
eu acho, verdadeiramente, a vida pessoal de
terceiros desinteressante. Eu não ligo a mínima para os fatos que são tão
importantes para tanta gente. Simplesmente, não me interesso, não me desperta
curiosidade, não me comove ou qualquer sentimento do tipo, saber os detalhes da
vida íntima, financeira ou sexual de terceiros. A única informação
pertinente para mim é quanto ao meu próprio salário, em como pagarei minhas
contas, como gastarei meu dinheiro. Sim, tem gente que se ocupa seriamente
sobre fazer controle financeiro com o dinheiro dos outros, pior ainda, com um
dinheiro que sequer lhe diz respeito.
Também me desinteresso pela
rotina dos outros. O que fazem em seu tempo livre, o que leem, o que assistem
na tv, o que falam ao telefone, o que comem, o que vestem, aonde vão e de onde
vêm, o que querem da vida, a que horas saem, com quem saem, com quem voltam, em
outras palavras, um sem-fim de trivialidades da vida de outra pessoa que nada
me diz respeito.
Talvez eu seja
excessivamente desinteressada do que não é da minha conta. Talvez eu seja a
errada. Talvez, para me enquadrar nesse esquema de pequenezas, eu devesse ser
mais intrometida, mais curiosa, mais invasiva e inconveniente. Sou eu que estou
errada. Este meu profundo e ofensivo desinteresse agride, ofende a quem está
tão dedicado a monitorar a grama alheia que nem repara que apenas erva daninha anda
crescendo em seu quintal. Agride a minha não dedicação às coisas que não mudam minha vida. Agride quando alguém tem mais o que fazer do que brincar de espionagem caseira.
Mas, uma coisa há de se
considerar: o que eu penso não faz nem cócegas no rumo da humanidade. Então,
recolho-me à minha insignificância.

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