segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

A sentimental

Lá vem mais um final de ano nos fazendo repensar a vida. É tão massante! Essa auto crítica que vem em peso com tempo limitado. Chega logo, ano novo!
Eu quero vestir aquela roupa nova da coragem, usar sapatinhos de cristal e deixar os cabelos soltos ao vento. Que venha uma página em branco pronta para outra história. Nem prometo que irei errar menos. Nem prometo que farei diferente. Eu acho mesmo é que vou cometer a mesma loucura de formas diferentes.
Vou comer das uvas da sorte. Pular 7 ondas do futuro. Brindar ao tempo, enquanto ele ainda há.
Traga-me mais abraços, mais doçura em dias que serão amargos. Que eu seja presente e que o passado seja apenas um calendário rabiscado.
Tem mais do céu na minha estrada. Caminharei nas estrelas e serei um tanto melhor. E eu não espero mais por você. Eu prossigo.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Um pouco mais do mesmo

Súbita euforia relativa. Euforia crítica em estado de combustão. Quase insólita. Talvez insólita.
Da noite ao dia, tanta bondade. Vem feito carinho embalado em abraços. É passageiro, eu sei.

Comemoração embriagada cambaleante. Palhaçadas sem riso. Sorriso sem vontade. Te presenteio por obrigação. Agradeça-me por educação. Convivência conivente. Tudo aceitável na noite de Natal.

Tudo está por um fio e ninguém dança enquanto a música prossegue. Coreografias de maxilares à mesa. Tão bonito e iluminado! Nunca saberei se desta vez é verdadeiro ou, apenas, um pouco mais do mesmo.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Mulher Solteira Procura

O filme é antigo. Lembro de ter assistido algumas vezes e, em todas, senti aquele pavor que a personagem principal vive na trama.
Eu estou ali, distraída nos meus problemas e nas decisões de cada dia. Não noto que, por um pequeno vão, alguém se esgueira pelos cantos escuros. Me espreita, me estuda.
Sutilmente, quase imperceptível, mas eficaz. Veneno com muito açúcar para me iludir.
Nego a suspeita. Prossegue a invasão.
Com uma pretensa fidelidade canina, avança. Faz uso do espaço concedido em minha vida para cavar trincheiras. Cerca-me nos meus domínios.
Veste-se de cordeiro para conquistar amigos. Traça a emboscada. Mas sou eu quem atira.
A vida e o filme.


*Mulher Solteira Procura (Single White Female - 1992) - Briget Fonda e Jennifer Jason Leigh

domingo, 11 de dezembro de 2011

Pequena Intervenção

Quanto vale a dignidade? A minha vale mais do que um bom e disputado emprego. Vale mais que as pequenas esmolas de vantagens oferecidas. Pelo menos a minha, vale mais do que a própria vaidade.
E mantenho-me digna por não aceitar as condições de quem é insatisfeito comigo. Não há termos de aceitação.
Passarei a usar este blog para um fim diferente do que o deu início. Deixo de lado os devaneios e abro espaço para minhas opiniões.
Afiada, contundente, ácida. Houve tempo de permanecer em silêncio. Chega o tempo de fazer barulho, sem poupar ninguém.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Do Armagedon...

Nada está firme neste chão. Nada está estagnado no ar. Apenas nossa cegueira e falta de tato permanece imóvel.
Somos bípedes pensantes de cérebros geniais. Temos o dom da criação e da destruição ao mesmo tempo. Rodin esculpiu visões desfazendo a pedra alva e antiga. A Terra que nos julgue e condene por roubar o direito sobre as coisas.
A água que bebo não é minha. Minhas plantas do jardim não me pertencem. Posso movimentar a areia do deserto e, ainda assim, nenhum grão será meu. O que faço neste planeta é obsceno. Nenhuma geração desta espécie é superior ao pó que há no caminho.
O que podemos fazer não nos torna dignos de herdar. De nós, nada restará. Tudo voltará a ser poeira.