sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Faz de conta

Chego do trabalho cansada e insana por me jogar no sofá, curtir um bom filme e simplesmente inexistir.
Toca o telefone insistente. Barulho chato. Mais chato ainda é quem está tentando falar comigo do outro lado.
Resolvo atender na segunda vez que toca. Digo um alô que daria medo até a um surdo.
E lá vem o bla bla bla e o convite. Sinto dor no estômago. Náuseas.
Repulsa por quem me obriga a perder a educação. A semana toda recusei essa ligação.
Vou direto à resposta: não! E tenho que ouvir outra pergunta: Por que não???
Só pode ser brincadeira, penso. A repulsa aumenta e a insistência parece não ter fim.
Desligo. Qual parte do "não" a criatura não entendeu?
Que pessoas são estas que vivem no mundo do "faz de conta"?
Quem faz de conta que não entendeu, eu faço de conta que não existe!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Aviso aos navegantes

Aos 35 anos, ele achava que ainda era um garoto de 17. Passa o tempo livre nos games, bebe como se o fígado fosse de titânio, dirige inconsequentemente o carro, paquera compulsivamente para garantir a massagem no ego. Achava eu que meu amigo era um caso perdido.
Repentinamente a vida veio a lhe comunicar o óbvio: o tempo passou. Reagiu muito mal à descoberta. Ficou zangado, negou a realidade, debateu-se. Inevitável! O tempo passa e você se adapta.
O cabelo caiu, as linhas no rosto estão fixas e irredutíveis, o corpo reclama descanso.
Ele viveu distraído a última década. Não percebeu as mudanças. Agora sofre.
Pergunta-se onde foi parar o garoto que sorria no espelho todas as manhãs. Onde esteve este tempo todo?
Aconteceu com meu amigo. Há de se prestar atenção no Tempo, este senhor genioso que não espera por ninguém.

Um pouco de loucura

Traga-me o remédio para esta angústia.
Um pouco de loucura me faz bem.
A pitada do tempero que faltava.
Chega desta seriedade urbana.
Leve-me para ver o mar outra vez.
Quem sabe banho de chuva?
Quem sabe banho de lua?
O sentimento é insano.
Mas satisfaz o corpo.
Me entrego e quero de novo.
Preciso, apenas isto.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O Grande Sacana!

Ela vinha devagar, com jeito de quem aprecia a paisagem. Usava um casaco pesado e os bolsos cheios de certeza.
Alguém perguntou para onde estava indo. Deu de ombros.
Feito navio sem porto para atracar.
Parecia feliz na sua conformada infelicidade.
E era paz, e era rocha.
De repente avistou o Perigo e achou graça.
Ele era atraente demais para ignorar.
Valia uma brincadeira.
Tirou o casaco e deixou meio de lado.
E o Perigo, tão maroto, convidou para um passeio.
Ela aceitou sorrindo e partiu.
Esqueceu o casaco e com ele, toda a certeza.
Já não era rocha, era apenas vento.