Ouço um som estridente, abro um olho sem nenhuma vontade, instintivamente jogo aquele pequeno aparelho eletrônico no chão.
Levanto devagar, como quem fosse ter uma segunda chance de ficar dormindo. Percebo que chove lá fora. Putz!
Caminho desgraçadamente até o banheiro, lavo esta cara de cinismo e olho no espelho. Péssima ideia! Que cabelo é este???
Tento escolher uma roupa que valorize meu corpo, confira algum charme, mas só penso em continuar dentro da camisolinha de malha com desenho infantil.
Não tenho fome, logo saio de casa e, quase na rua, lembro que esqueci a carteira. Porra!
Volto pro carro, dirijo psicopatamente, entre buzinas e freiadas grotescas. Finalmente, chego no trabalho. Merda de trabalho! Tento entrar rapidamente na minha sala, fecho a porta atrás de mim e respira mais aliviada.
Outra vez um barulho irritante perseguindo.Atendo o telefone e a voz de gralha do outro lado proferindo um bom dia escandaloso faz doer meu estômago e ter pensamentos nada cristãos.
Ainda restam umas 5 horas para acabar com isto. Onde está o chocolate quando mais preciso???
Resisto bravamente. Ok, respiro lentamente, expiro.
De repente uma mensagem no email, nada muito sofisticado, mas fez toda a diferença. E uma gota de carinho muda tudo mais uma vez.
quarta-feira, 30 de março de 2011
segunda-feira, 28 de março de 2011
O caminho certo tem curvas
Passei anos construindo minha estrada, feito aranha tecendo a teia na busca de viver.
Carreguei comigo lembranças obsoletas que pesaram na mala.
Cada passo e cada grão de areia no sapato contando minha história.
Pensei já ter alcançado meu oásis, meu paraíso.
Veio um vento forte e misturou todas as coisas, apagando minhas pegadas.
E num lampejo estou diante de escolhas.
Cada porta é uma nova chance de recomeço.
Cada porta é um sacrifício de outros recomeços diferentes.
Fico diante delas tentando advinhar, esperando um sinal.
Quero seguir adiante, mas por qual caminho?
Fecho os olhos e deixo a mão alheia ser meu norte.
Sou bússola sem ponteiro, mapa sem desenho.
Um sopro do acaso me carrega adiante.
Abro os olhos, te vejo. Abro a porta, me entrego.
Coração itinerante, sem pressa de chegar.
domingo, 13 de março de 2011
Das Condições
Pedi a salvação e me foi concedida. Mas eu queria sob meus termos, então nada aconteceu.
Pedi por amor e me foi concedido. Mas eu queria que fosse eterno, então ele acabou.
Pedi por carinho e me foi concedido. Mas eu queria apenas receber, então não se repetiu.
Pedi por amizade e me foi concedida. Mas eu queria sem retribuição, então se foi.
Pedi por todas as coisas que me fizessem mais feliz e tudo me foi concedido.
Mas o tempo... ah! o tempo... não há segunda chance para o mesmo momento.
Pedi por amor e me foi concedido. Mas eu queria que fosse eterno, então ele acabou.
Pedi por carinho e me foi concedido. Mas eu queria apenas receber, então não se repetiu.
Pedi por amizade e me foi concedida. Mas eu queria sem retribuição, então se foi.
Pedi por todas as coisas que me fizessem mais feliz e tudo me foi concedido.
Mas o tempo... ah! o tempo... não há segunda chance para o mesmo momento.
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Um GPS para a vida.
Alguém se aproxima para mostrar a última aquisição: um celular com zilhões de funções, com acesso a todas as redes sociais, sensor de localização de pessoas, cartão de memória de trocentos gigas, câmera com resolução de telescópio Hubbe e até um GPS.
Ok, faço aquela cara de paisagem e emito um murcho "que interessante!". A pessoa se afasta para mostrar a um outro alguém que ficou muito curioso e fez várias perguntas do tipo quero-um-igual. E é apenas um pedaço de plático.
Onde está a vida nisto tudo? Você conhece as pessoas através de máquinas, você se comunica através de máquinas, você tem suas emoções transformadas em bits. E quando é olho no olho, com direito a contato físico, corpo falando, voz deixando pistas, o sujeito se perde.
Fica sem o amparo, sente-se sem um braço ou perna, já não sabe como agir. Acha que seu charme fica melhor definino em emoticons. Pane no sistema. Tem vontade de reiniciar. Procura a tecla "delete" para a piada boba que contou. O olhar direto de quem está a sua frente lhe incomoda e o deixa mareado. Coloca o cardápio em frente ao rosto e simula sua tela de 15". Melhor assim, ele pensa. Tudo acaba e pode voltar ao seu mundo perfeito da virtualidade.
Saindo da minha divagação, ainda noto os dois conversando sobre aquele pedaço de plástico falante. Absorvidos pelo assunto, não deixaram espaço para a moça sozinha ali perto ser notada. Ela se esforça, mas passa etérea pelos dois e segue com sua vida para lá de real.
Ok, faço aquela cara de paisagem e emito um murcho "que interessante!". A pessoa se afasta para mostrar a um outro alguém que ficou muito curioso e fez várias perguntas do tipo quero-um-igual. E é apenas um pedaço de plático.
Onde está a vida nisto tudo? Você conhece as pessoas através de máquinas, você se comunica através de máquinas, você tem suas emoções transformadas em bits. E quando é olho no olho, com direito a contato físico, corpo falando, voz deixando pistas, o sujeito se perde.
Fica sem o amparo, sente-se sem um braço ou perna, já não sabe como agir. Acha que seu charme fica melhor definino em emoticons. Pane no sistema. Tem vontade de reiniciar. Procura a tecla "delete" para a piada boba que contou. O olhar direto de quem está a sua frente lhe incomoda e o deixa mareado. Coloca o cardápio em frente ao rosto e simula sua tela de 15". Melhor assim, ele pensa. Tudo acaba e pode voltar ao seu mundo perfeito da virtualidade.
Saindo da minha divagação, ainda noto os dois conversando sobre aquele pedaço de plástico falante. Absorvidos pelo assunto, não deixaram espaço para a moça sozinha ali perto ser notada. Ela se esforça, mas passa etérea pelos dois e segue com sua vida para lá de real.
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Para ser feliz
Foto: by post Maninha site Vila Mulher
Insistir e persistir. Não desistir. Quem é que não está nesta vida apenas para buscar a felicidade?
Não importa do que ela é feita, se de matéria ou de sensações. É o santo graal da existência.
O caminho que se toma e a própria jornada, tem vezes que nem parece valer a pena.
E por mais que você jure que vai deixar de lado a busca, nunca vi ninguém abandonar a jornada.
Você pode ter medo ou estar sozinho, mas ainda estará lá, emaranhada nas ideias, a vontade de ser feliz.
Seja como for, estamos todos errados nesta caçada.Somos crianças tentando segurar fumaça com as mãos. Felicidade é estar. É moça volúvel que às vezes te namora. Às vezes, vai embora sem aviso. Mas ela voltará, cedo ou tarde, aos braços de quem sabe seu valor.
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