Alguém se aproxima para mostrar a última aquisição: um celular com zilhões de funções, com acesso a todas as redes sociais, sensor de localização de pessoas, cartão de memória de trocentos gigas, câmera com resolução de telescópio Hubbe e até um GPS.
Ok, faço aquela cara de paisagem e emito um murcho "que interessante!". A pessoa se afasta para mostrar a um outro alguém que ficou muito curioso e fez várias perguntas do tipo quero-um-igual. E é apenas um pedaço de plático.
Onde está a vida nisto tudo? Você conhece as pessoas através de máquinas, você se comunica através de máquinas, você tem suas emoções transformadas em bits. E quando é olho no olho, com direito a contato físico, corpo falando, voz deixando pistas, o sujeito se perde.
Fica sem o amparo, sente-se sem um braço ou perna, já não sabe como agir. Acha que seu charme fica melhor definino em emoticons. Pane no sistema. Tem vontade de reiniciar. Procura a tecla "delete" para a piada boba que contou. O olhar direto de quem está a sua frente lhe incomoda e o deixa mareado. Coloca o cardápio em frente ao rosto e simula sua tela de 15". Melhor assim, ele pensa. Tudo acaba e pode voltar ao seu mundo perfeito da virtualidade.
Saindo da minha divagação, ainda noto os dois conversando sobre aquele pedaço de plástico falante. Absorvidos pelo assunto, não deixaram espaço para a moça sozinha ali perto ser notada. Ela se esforça, mas passa etérea pelos dois e segue com sua vida para lá de real.
Por isso que digo que nada é melhor para conhecer uma pessoa do que dar um pileque nela. Sem olho no olho é fácil parecer ser alguém que tu não sabe ser na vida real. Agora vem pro bar pra tu ver.
ResponderExcluirBelo post!!!
ResponderExcluirBelo blog,gostei daqui... VOltarei mais vezes...
Convido vc a conhecer meu trabalho (poesia, musica, teatro)
Ficaria muito feliz!
http://mailsonfurtado.com