quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A necessidade

Sujeito acorda pela manhã e vai até o banheiro. Joga água no rosto e passa os dedos pelo cabelo. Sonolentamente se vê no espelho.
Analisa o estrago que faz acordar o corpo enquanto a mente ainda dorme.
Ele sorri.
Deseja um bom dia para a imagem embaçada. Chega a pensar "quem é este otimista aí?". Não o conhece.
Vai ao trabalho como se fosse para a própria crucifixação. Começa a luta. Sorri para o porteiro, sorri para o guarda de trânsito, sorri para os colegas, sorri, sorri...
Por dentro é seco, árduo, cansado.
Ninguém pode saber. Leva-se muito tempo para criar uma fortaleza.
Passa o dia agradando a todos. Sendo gentil, educado mesmo quando o chefe lhe chama de incompetente. Resigna-se a duas frases: "Desculpe-me" e "Obrigado!".
Acaba o dia, não acaba a frustração.
Mas antes de dormir ainda pensa que amanhã ele vai fazer diferente. Mas só amanhã por que hoje já não há mais tempo.

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