terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O muro!

O que é do outro é melhor. 
Não apenas a grama é mais verde do lado de lá. 
Também o ar que se respira é mais puro. 
E o solo é mais fértil. 
As coisas do lado de lá da cerca que nos divide.
As coisas daqui não brilham mais.
O que tomei posse perdeu o encanto no momento que tornei meu.
Tudo voltará a ser apenas átomo.
Eu quero o outro lado da cerca. 
Mas não tenho coragem de derrubá-la. 
Preciso possuir. Nesta ânsia, nada mais sou do que possuído.
Por quê é tão dourado o sol de lá? 
Faço-me céu escuro. Durmo. 
Sonhos de dono do mundo.

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