terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Um certo Álvaro de Campos...

ODE MARÍTIMA
"Ah, quem sabe, quem sabe, Se não parti outrora, antes de mim,
Dum cais; se não deixei, navio ao sol Oblíquo da madrugada,
Uma outra espécie de porto?  
Quem sabe se não deixei, antes de a hora
Do mundo exterior como eu o vejo  
Raiar-se para mim, Um grande cais cheio de pouca gente,  
Duma grande cidade meio-desperta,  
Duma enorme cidade comercial, crescida, apopléctica,  
Tanto quanto isso pode ser fora do Espaço e do Tempo?"

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