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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Quando li sobre a proibição do sal à mesa


Que estranho momento estamos vivendo! Parece que há a predominância de certos mantras como, “proibir sempre, tolerar jamais” e “só a vitimização salva”. Eita, que esta geração está chata! Parecendo mais criança birrenta que não ganha o presente de Natal que pediu. Resolvendo tudo no grito, batendo os pezinhos no chão para ser o centro das atenções. E eu me pergunto, onde estão os pais desta “criança”?!

Não sei em que época as coisas começaram a desandar, mas sei que este tombo para trás da evolução vai deixar marcas na pele da humanidade. A geração que não sabe resolver seus problemas, pelo contrário, cria outros piores. É igual ao sujeito que faz um empréstimo para quitar outro. A geração que faz o individualismo a regra e a democracia, a exceção. A geração que não consegue lidar com frustrações. Que joga a educação de seus filhos na mão de terceiros. Que acha que tudo é culpa dos políticos. Que não vê problema em dar um “jeitinho”, desde que seja para si. A geração que veio com o argumento da interatividade, mas nada mais que Narcisos. A geração da selfie, dos grupinhos no aplicativo, do check in, da vida perfeita do comercial de margarina. A geração que carrega na maquiagem social para esconder os defeitos. A geração do dedo apontado na cara alheia e do textão para todos os fins.

Só resta constatar que estamos vivendo a geração mais mimimi e porre de todos os tempos! Então você pensa sobre a próxima leva de filhos paridos nestes tempos! Agora façamos 1 minuto de silêncio pelo sal, pelo açúcar, pelo bom senso, proibidos de estarem à mesa.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Das lutas



A luta contra a homofobia é uma causa importante, pois lida com o direito que qualquer indivíduo tem de não ser discriminado e/ou agredido por conta de sua opção sexual. Mas é estranho como o tema perdeu o foco e a função. E cabe aqui ampliar para muitas outras causas que acabam se perdendo nessa babilônia de opinião furada sem atitude alguma.

A impressão que tenho é de que há uma multidão enlouquecida e ansiosa por parecer politicamente correta e moderninha. Multidão predisposta a sair berrando tanta asneira que quase nem consigo mais ouvir as pessoas que realmente têm algo importante a dizer.

Uma multidão longe demais da tal conscientização social e próxima demais da intolerância. Quanta contradição nas atitudes! Pois, para defender uma causa, criam uma guerra. E no que essas pessoas ajudam? Nada. Fica muito difícil conversar em meio a tanto barulho. Como se um vizinho começasse o dia tocando uma música que você curte, mas no volume máximo, tão alto que você deseja nunca mais ter que ouvir aquilo. 

Acho inaceitável que em pleno século XXI a intimidade de uma pessoa tenha que ser objeto de discussão pública. Mas, mais inaceitável ainda é o fato de cidadãos ditos instruídos transformarem em circo a difícil conquista de direitos, mais propagando a discórdia do que o entendimento. E de arrasto leva-se à fogueira todo o tipo de assunto, desde religião até a cor da tinta de cabelo que se usa, ou seja, nada mais que um falatório de fim de feira.

Vejo pessoas engajadas medonhamente em causas. Digo medonhamente porque o fazem de maneira cega e torta. São pessoas que não estão interessadas na mudança social, são meros exibicionistas. Não importa qual seja sua luta, faça dentro de uma coerência. Defender, por exemplo, a luta contra a corrupção e, ao mesmo tempo, falar com repugnância de quem está em classe social menos favorecida. Dizer não contra a censura, mas censurar com base em xingamentos a quem tem opinião contrária. Meu amigo, quem disse que democracia era fácil?

Viver em pé de igualdade sendo tão diferentes e, ainda assim, evoluirmos juntos...  só me chamem ser for para valer.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Verdade, marca registrada.


Ter estudo não significa que você se transformou na pessoa dona da verdade. A quantidade de livros lidos não te torna um sábio. Nem a sua crença, nem as suas estranhas músicas alternativas, nem sua roupa desleixada fingindo ser apenas casual, nem sua atitude anti qualquer coisa que seja povão, nada disso faz de você um ente superior na escala da evolução.

Aliás, existe mais sabedoria em um sertanejo tentando salvar a família da seca impiedosa do que na sua playlist metida à besta nos seus fones de ouvidos chamativos. O sertanejo olha ao céu sem nuvens e o interpreta. Existe mais sabedoria no idoso sentado sozinho em um banco de praça do que no seu rol de amigos avatares daquela rede social. O idoso sabe que a qualidade da vida não depende da quantidade do que conseguimos juntar ao longo dela. Um cão perdido tem mais sabedoria do que o ipad-pod-smart-chatice do qual você não desgruda. O cão compreende a importância de um lar, de afago e um bom amigo. E, sim, há mais sabedoria em uma lista telefônica do que em todos os seus posts pretenciosos anunciando uma revolta que nem você acredita.

Ah, a internet! Esta aldeia global onde tudo está ao alcance de um click. Realmente, basta um click para mudar de assunto quando fica muito pesado, quando alguém derruba um dos seus argumentos, quando sua imagem já não vale mil palavras, quando é preciso encher-se rapidamente de conteúdo para posar de inteligente. Um click de distância entre o mundo real e a fantasia. Quando deixou de ser aldeia global e passou a ser território disputado por várias tribos?

Podemos ser uma sociedade bem mais interessante do que essa. Podemos ser bem maiores, melhores e marcarmos uma era. Sermos célebres na história da humanidade e menos celebridades da TV. Sermos a direção no caminho e menos confusão. Talvez tenhamos perdido o foco no propósito de vivermos em conjunto.

Indignação e manifesto, mas com objetivos. Que sirva como elo e não como um muro que divide. Entre os que estão certos e errados, é só a verdade que sai machucada. 

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Da Influenza

Tenho me preocupado com opiniões. Uma opinião que é minha, quando externada já não me pertence. Não tenho o domínio, não posso mais a submeter ao confinamento da minha mente. 

É quase como um vírus. Pode virar uma epidemia ou morrer sem ninguém notar. Influenza. Opinião não deveria ser a mãe da discórdia, da confusão. Tão pouco deve existir uma opinião sobre tudo. Reservo-me o direito a não opinar sobre várias coisas, pura e simplesmente porque desconheço. 

Tenho desconfiança nesta tal sabedoria embutida vendida a rodo pelos que opinam sobre tudo. Por vezes, estou do lado de lá, metralhando a mente alheia com o meu modo de pensar. Depois, paro e acho feio. Ressaca da opinião. 

E tantas pessoas agredidas assim! Porque alguém usou mais do que a liberdade de expressão e encontrou parceiros no"achismo". O que um grupo pensa, vira arma. Cabe a mim decidir se serei mais uma pessoa a puxar o gatilho. 

Opinião que não serve para construir, é o que se vê pelas esquinas. Contamina, passa de um para outro sem demora. É água poluída matando mais que apenas a sede. Evito.