sábado, 20 de outubro de 2012

A maionese

Quanto tempo tem o tempo de que precisamos para curar tudo? Aquele tal tempo a quem aguardamos ansiosamente feito criança esperando a hora do recreio. Um tempo que precisa de tempo para acontecer. Onde mora esse tempo de que falam se apenas o percebo quando já passou por mim?

Pois encontrei o danado escondido em um pote de maionese. Veio até mim na ponta da faca. Tinha eu uma fatia de pão por testemunha. Casual encontro: eu, o tempo e a fome.

Por estar pastoso e escorregadio tive a impressão de que iria me escapar. Tratei logo de morder os nacos que ainda o mantinham preso. Que sabor espetacular!

Tempo. Aquele que desejei que viesse o quanto antes e levasse sem demora minhas aflições. Eu esperava e esperava e esperava. De repente, recebia uma carta dizendo que já havia estado ali e eu nunca notei suas ações.

Mas, hoje, o peguei distraído. Não fiz perguntas. Qualquer resposta que o tempo traga já não serve mais àquela pergunta. Apenas aproveitei o gosto de entender sua mágica. Absorvo-o e confio.


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