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segunda-feira, 29 de julho de 2013

Um duende chamado Otimismo

Eu não gosto de otimistas. São irritantes em seus sorrisinhos medonhos de alegria plastificada. Detesto suas frases prontas de pára choque de caminhão. Parecem ter caído de um comercial de margarina. Otimistas me causam urticária, dor de cabeça, náuseas e, desconfio, também a labirintite. Eles simplesmente não respeitam o seu direito de ver tudo pelo lado mais trágico, dramático e problemático. Possuem aquela petulância de achar que podem levantar o seu astral sem a sua permissão. Um atrevimento!

É sempre de um otimista a frase "há males que vêm para o bem" ou "depois da tempestade vem a bonança". E não basta proferir a bobagem, ele precisa fazer algo para potencializar o efeito laxativo que é sua presença. Um otimista despreza totalmente a vontade alheia de obedecer a Lei de Murphy. Ele ignora a sua necessidade de autocomiseração e te importuna com uma visão de futuro esperançosa quando tudo o que você mais quer é reclamar do presente e culpar o passado.

Mas, o mais irônico de tudo é que otimistas são como o remédio amargo: pode ser difícil de engolir, mas vai te fazer bem. 

sábado, 20 de outubro de 2012

A maionese

Quanto tempo tem o tempo de que precisamos para curar tudo? Aquele tal tempo a quem aguardamos ansiosamente feito criança esperando a hora do recreio. Um tempo que precisa de tempo para acontecer. Onde mora esse tempo de que falam se apenas o percebo quando já passou por mim?

Pois encontrei o danado escondido em um pote de maionese. Veio até mim na ponta da faca. Tinha eu uma fatia de pão por testemunha. Casual encontro: eu, o tempo e a fome.

Por estar pastoso e escorregadio tive a impressão de que iria me escapar. Tratei logo de morder os nacos que ainda o mantinham preso. Que sabor espetacular!

Tempo. Aquele que desejei que viesse o quanto antes e levasse sem demora minhas aflições. Eu esperava e esperava e esperava. De repente, recebia uma carta dizendo que já havia estado ali e eu nunca notei suas ações.

Mas, hoje, o peguei distraído. Não fiz perguntas. Qualquer resposta que o tempo traga já não serve mais àquela pergunta. Apenas aproveitei o gosto de entender sua mágica. Absorvo-o e confio.