Quando escolhi ir para o funcionalismo público foi por conta do medo do desemprego. Por muitos anos vivi na rotina de matar um leão por dia e, ainda assim, dormir intranquila sem saber se pela manhã meu emprego ainda estaria esperando por mim. Medo de não pagar o aluguel, de dever ao banco, de sub-sobreviver.
Foi por esta única razão que fiz minha escolha. Estudei com dedicação que nunca tive nos tempos de escola. Enfim, um dia consegui. E lembro que a sensação foi como ganhar na loteria (embora eu nunca tenha ganho nem em rifa).
Mas a realidade é muito diferente do que o senso comum imagina. Porque eu também era daquelas pessoas que ficava repetindo bobagens das quais nunca tive conhecimento: funcionário público é tudo marajá; trabalham quando querem; não fazem nada; etc. Isso nada mais é do que ser papagaio de pirata, só repetindo sem ter ideia do que se está dizendo.
Minha chegada nesse universo peculiar foi difícil. Raros são os órgãos preparados para receber gente nova na folha de pagamento. Em empresas privadas, a qualificação e aperfeiçoamento do funcionário é um investimento. A motivação de pessoal é ferramenta indispensável. A ideia de liderança é tão crucial que os administradores modernos não se descuidam e vivem antenados às necessidades externas e, também, internas. Porque tudo é um único processo em que há um objetivo a ser alcançado.
O que ocorreu comigo é quase como uma decepção amorosa. A segurança financeira tornou-se pouco compensadora frente às desvantagens, a meu ver cada vez mais abundantes. Mas, por enquanto, insisto. Trabalhar é preciso.
Ser funcionário público é sair da cama todos os dias para trabalhar sabendo que a motivação está cada vez mais escassa e depende unicamente de você mesmo. É sair de seu lar consciente de que não haverá reconhecimento, pelo contrário, é ouvir de um vagabundo qualquer que ele paga nossos salários. É fazer o que tem de ser feito mesmo sabendo que seremos escalpelados pela ideia geral de que somos fantasmas ou preguiçosos.
Mas como trabalhadores que somos, comuns, simples, normais, continuamos saindo todos os dias de casa para cumprir com as obrigações, muitas delas feitas com imensa satisfação. Apesar de tudo, aprendemos a manter o respeito e a dedicação à fonte de nosso sustento. E o que nos falta mesmo, é liderança verdadeiramente interessada e competente, que ajude a não se criar joio onde há o trigo.

Também sou funcionário público, mas bem recente.
ResponderExcluirEntrei nessa área meio que por acaso, e amo o que fazia antes, pretendo de alguma forma continuar fazendo o que fazia, 2013 vai me dizer isso.
Até agora vi pessoas interessadas trabalhando ali. As pessoas que não desejam trabalhar acabam sendo movidas para outras áreas, ficando ali só quem quer mesmo fazer a diferença. O ruim é aquela fama que funcionário público tem.
Enfim.
Ótimo seu blog.
gustavo
Exatamente, não importa o que faça, seja um diferencial. Quanto a má fama, ainda vai longe isso. obrigada por compartilhar sua visão. :)
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