Se reclamar da vida fosse esporte olímpico eu já teria minha
medalha de ouro. Reclamo, na maioria das vezes, sem qualquer justificativa.
Assim, bem na cara dura. Mas se me perguntarem se gostaria de trocar de vida a
resposta é fácil e reta: NÃO.
Cheguei à conclusão de que reclamar virou um hábito, tão
desagradável para o convívio quanto a fumaça de um cigarro. Considero quase um
hábito que foi promovido à categoria de vício. Eu gostaria de me libertar disso.
Muito embora, como todo vício, sua prática causa-me certo prazer. Nem imagino o
que seja reprimir integralmente a lamúria.
Reclamo de ter que dormir cedo e acordo reclamando do sono.
Reclamo do sono que me acompanha até o trabalho. Reclamo da ignorância dos
outros no trânsito e nem noto a minha própria. Reclamo do calor, mas reclamo
mais ainda do frio. Reclamo da chuva, do sol, etc. Que coisa feia, hein! Parece
não existir a medida perfeita para tudo. Mas existe a gratidão. E eu a tenho
negligenciado. Pior ainda, tenho culpado a vida pelo simples fato de estar em
movimento.
Se eu for analisar bem, eu gosto da minha vida e de tudo que
a compõem. Não há muito que eu mudaria nela. Mas, reclamar é preciso. Ok,
reclamar eu preciso. Às vezes parece
um tédio constante pairando sobre o dia a dia. Algumas pessoas não sabem lidar
com a rejeição, com a frustração, com a desilusão, eu sou do tipo que não sabe
lidar com o tédio. Seja por preguiça ou por esquecimento, deixo de empenhar
esforço para fazer mudanças. Assim, vou me conformando e seguindo na
reclamação.
Creio que perceber essa farsa em mim já seja é um passo
adiante para evoluir. Certamente, não passarei a amar a segunda-feira, mas
posso tentar deixa-lá mais leve, diminuir o negativismo diário e ter uma
atitude mais empreendedora. Fácil falar, difícil fazer, mas nunca impossível de
mudar.

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