Para quem já matou um cacto por falta de
água, é compreensível que eu precise de ajuda para cuidar do meu jardim
imaginário, a fim de que venham as benditas borboletas. Problemas de gente
grande me consomem. Fico distraída de mim. Quando me dou conta, a grama virou
mato, as flores murcharam e, das tais borboletas, só a lembrança.
É quando
preciso tirar tempo para cuidar desse terreno fértil, embora negligenciado.
Mas, seria melhor se eu percebesse a falta que faço a mim mesma todos os dias,
e não apenas quando tudo vira bagunça.
Preciso de menos números e mais cores. Menos
papéis e mais boa vontade. Vidinha burocrática que me transforma em máquina.
Automatizei sentimentos, péssimo! Uma bela manhã acordo e percebo a dureza e
aspereza do que me cerca. Saudade de relva...
Minha
ideia de equilíbrio é viver na corda bamba. Sempre à mercê de arrebentar a
corda. Concentro força demais em um só objetivo, esqueço-me de tudo. Como um
apostador na mesa de pôquer, arriscando todas as fichas em seu par de Ases. E a
sorte é um moleque brincando com vidas.
No fim das contas, o jardim permanece lá,
esperando que eu apareça. Fico um tempo ali, plantando carinho entre as flores.
Até que tudo esteja tão bucólico que eu precise respirar o ar das máquinas, dos
números e dos papéis mais uma vez. E as borboletas vão e vêm, algumas esperam
eu voltar, outras esperam que a vida coincida. Não existe regra que explique o
que é viver.

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