Lá se vão as primaveras! Embarco na casa 35 deste ciclo chamado vida. Mas, aproveitando ainda as últimas semanas de 34, me dou ao trabalho de fazer aquela manjada retrospectiva que, blá blá blá à parte, tanto faz se o saldo é positivo, a sensação é sempre a de sair devendo.
Você vai ali na balança astral e começa a medir o peso dos acontecimentos de sua vida. No meu caso, descobri que não sei dividir em partes razoáveis a quantidade de energia necessária para fazer o lado profissional e o pessoal andarem em conjunto.
Como não sei desenhar, vou explicar o que acontece. Eu sou um foguete, a vida é a trajetória que preciso percorrer do ponto A (nascimento) até o ponto B (morte). Para tanto, tudo que preciso fazer é acionar os dois motores chamados Profissão e Vida Pessoal. O problema é que, na largada eu me saí muito bem, mas em certa altura do percurso comecei a ter sérios problemas em manter os dois motores acionados com força total ao mesmo tempo. Trocando em miúdos, tenho andado frequentemente em círculos.
Para acionar um motor, preciso desligar o outro. Não era assim, mas com o tempo, fui precisando fazer tantos ajustes na minha trajetória que acabo gastando energia demais de um motor em outro. São frequentes as paradinhas para reabastecer de força e começar tudo de novo. O importante é não esquecer de desligar um e religar o outro, ou então, ficarei apenas flutuando no espaço/tempo deixando apenas que alguma força externa me conduza.
Conheço foguetes que não vêm com este defeitinho e fazem essa jornada parecer muito simples. Apesar dos meus percalços, das trapalhadas, das frequentes panes e colisão com outras naves, descobri que se não fosse este "defeitinho" não teria vivido, conhecido, absorvido ou somado nada de interessante à minha vida. Tenho certeza que Deus, antes da partida, perguntou "com emoção ou sem emoção?". E todo o mundo já sabe o que respondi.
O que tenho para me dizer de tudo isso? Enjoy it!

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