sexta-feira, 2 de agosto de 2013

O Sonho

De repente você acorda do sonho adocicado que andou chamando de vida. Acorda e acha tudo muito estranho. Leva tempo até que os olhos (de novo olhar) habituem-se a ver o que antes nunca foi percebido. Por quanto tempo eu dormi? Reconheço poucos rostos e até as ruas mudaram as esquinas.

Sim, você acorda em um susto para um mundo novo que ainda é o mesmo velho mundo de sempre. Quero voltar para o sonho macio e fácil. Mas, ainda que eu possa adormecer outra vez, o sonho nunca se repetirá. Nunca mais aquele corpo etéreo. Nunca mais aquela sensação de flutuar.

Deposito sem confiança meus pés no chão áspero. Tento encontrar alguma lembrança boa que me sirva de apoio antes de tentar algum passo. No sonho eu não precisava saber para onde ir. Não precisava conter a vontade. Não precisava de um porquê.

Respiro fundo o ar indiferente, frio. Respiro e avanço. Preencho meus bolsos com as coisas que, dizem, precisarei carregar. Pesa-me. Lembro-me do sonho, agora, cada vez mais sonho. Começa a vida nesta fração de segundo onde todas as coisas acontecem: entre o sopro de Morfeu e a chegada de Aurora.

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