Eu não gosto de otimistas. São irritantes em seus sorrisinhos medonhos de alegria plastificada. Detesto suas frases prontas de pára choque de caminhão. Parecem ter caído de um comercial de margarina. Otimistas me causam urticária, dor de cabeça, náuseas e, desconfio, também a labirintite. Eles simplesmente não respeitam o seu direito de ver tudo pelo lado mais trágico, dramático e problemático. Possuem aquela petulância de achar que podem levantar o seu astral sem a sua permissão. Um atrevimento!
É sempre de um otimista a frase "há males que vêm para o bem" ou "depois da tempestade vem a bonança". E não basta proferir a bobagem, ele precisa fazer algo para potencializar o efeito laxativo que é sua presença. Um otimista despreza totalmente a vontade alheia de obedecer a Lei de Murphy. Ele ignora a sua necessidade de autocomiseração e te importuna com uma visão de futuro esperançosa quando tudo o que você mais quer é reclamar do presente e culpar o passado.
Mas, o mais irônico de tudo é que otimistas são como o remédio amargo: pode ser difícil de engolir, mas vai te fazer bem.

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