quarta-feira, 4 de junho de 2014

Faça amor. Não faça guerra!


Woodstock já era. A música mudou. O sonho acabou. Os ídolos morreram. A geração X foi decapitada pela Y. A Era de Aquarius virou inferno astral. E ficamos chatos...

A globalização mandou camponeses famintos para fábricas de algum tênis de grife, optando por morrer de cansaço do que de fome. O capitalismo selvagem virou atração de zoológico. Em seu lugar, um predador maior: a informação.

As redes sociais surgiram. Tornaram-se obrigação. Aproximaram pessoas para formar grupos e, assim, melhor separar uns dos outros. O telefone não comunica, apenas exibe seu formato novo. “Por favor”, “com licença” e “obrigado” são palavras vintage

Professores apanham. Animais de rua apanham. Mendigos queimam pelas calçadas. Alguém acha que outro alguém está enriquecendo urânio. Troca de mísseis em imagens 3D. 

Deus recebeu ordem de despejo junto com Alá, Buda, Tupã e qualquer integrante do grupo dos que possam fazer algum milagre. O Diabo trocou de sexo e, dizem as más línguas, agora se chama Mídia. A direita e a esquerda coligaram-se e o cidadão continua acreditando em duendes.

A comida é transgênica. O remédio é genérico. A educação é medíocre. A saúde mandou lembranças. Habeas corpus para ladrões e assassinos. O lar agora é uma prisão. O leão comendo salários. Os aposentados procurando emprego outra vez. Crianças dançando funk até o chão, ão, ão. O craque já não joga bola, só acende o cachimbo. Os idosos sentem saudade. E os adultos... bem, alguém viu algum adulto por aí?

Enquanto isso, lá em casa, continuamos economizando na conta de luz, da água e separando o lixo, porque isso deixa o mundo melhor, disse o moço da tv.

Por Lígia Cargnelutti
Texto originalmente publicado no blog Bordel Bordado e republicado no Portal Discorra

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