Entrei apressadamente em uma loja
de artigos para cama, mesa e banho em busca de uma colcha para minha cama.
Faltavam vinte minutos para fechar o estabelecimento e eu tentando escolher a
combinação perfeita: estampa-tecido-preço. Esta parte foi fácil. Complicado foi
responder à pergunta sobre qual o tamanho da cama. Oras! Não lembrava um só
momento em que tivesse me deparado com a tal medida do móvel. Mas, procurei
puxar pela minha memória fotográfica e cheguei à conclusão de que era uma cama
muito grande, portanto, pedi pela colcha maior que houvesse ali.
Conhecida por
minha objetividade nas compras, não levei mais que dez minutos para decidir o
que levar, mais uns cinco minutos para pagar e já me considerava uma recordista
olímpica só pelo fato de ter saído da loja antes do horário de fechamento.
Pensei que seria justo estabelecer este tipo de competição de modo oficial, com
direito a entrega de medalha de ouro no pódio. Caminhei pela rua ostentando
imaginariamente minha medalha de ouro na categoria “consumo nos cem metros
rasos”.
Acontece que essas alegrias
superficiais que criamos para passar o tempo na trivialidade costumam vir para
pregar peças. Algo como uma pequena lição sobre a arrogância nossa de cada dia
que nos dai hoje. Fui estender o artigo têxtil em cima da cama gigantesca e
algo surpreendente aconteceu! A cama havia encolhido. Sim, somente esta era a
explicação que julguei plausível, realística e aceitável no momento. Como poderia
aquela cama ser menor que aquela sensação de vastidão que tenho ao deitar-me
todas as noites? Como o espaço vazio que me circunda nela e me acolhe o sono
nas noites frias pode ter reduzido? Para onde foram aquelas centenas de
centímetros desocupadas do lado direito? E, enfim, quando foi que eu deixei de
sentir saudade? Quando foi que eu me deixei?

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