Em meus tenros 12 anos de idade, percebi que o belo é a perfeição
e o amor, a possibilidade. Por outro lado, é meu olhar que condena ou eleva.
Assim vejo o mundo, através de mim mesma e não do que se apresenta. E é o amor
que torna a beleza possível em lugares impossíveis.
De tal sorte, vou conferindo beleza ao que passa por mim.
Entendo que a via é de mão dupla. Haverá sempre um conceito alheio à minha
espera. Estamos todos sujeitos uns aos outros. Então, acho ingênuo o esforço em
estabelecer o padrão do que é belo. Da mesma maneira que acho em vão negar
nossa tendência a padronizar tudo para facilitar o entendimento.
Ah! Quanta preguiça! Não somos feito as borboletas que
apenas vivem suas etapas, pois não importa a combinação de cores de suas asas
se elas não servem para voar. Ou os guepardos que correm velozmente sem
pensarem se suas manchas estão bem distribuídas na pelagem. Tampouco abelhas,
que são lembradas pela doçura do mel e não por parecerem todas iguais.
Se ando vendo pouca beleza é porque estou com o olhar da
alma doente. Se apenas critico a tudo e a todos, sou eu que preciso de uma nova
perspectiva. Porque ainda é mais fácil mudar a si mesmo do que ao mundo.
E o que será que Platão pensaria hoje em dia?
