Não entendo o comportamento humano. Mas passo muita parte do
dia tentando entender, embora não seja profissional da área. Quando o assunto é
gente, tudo é paradoxo, complexo, absurdo ou efêmero. Agora, joga aí a tal da
rede social.
Tudo começa com um nick. E já vem a bizarrice por aí. Tem de
tudo: do Batman até o Thyaghinho23. Claro que existem os apelidos simples. Mas
a normalidade não é aqui o foco.
Próximo passo é escolher a imagem. O superestimado avatar
(porque chamar simplesmente de imagem não é coisa de gente conectada). Tem que
ser uma imagem que transmita uma mensagem. Que te mostre como um ser legal,
divertido, bonito, inteligente, perspicaz, estiloso, misterioso, seguro, sexy,
invencível, indestrutível e inoxidável! Não conseguiu uma imagem sua assim? Vai
de foto de alguma celebridade que, só na sua mente, parece muito com você ou
com que você gostaria de parecer. Vale personagem de desenho animado, de filmes
e vale fingir despretensão.
E agora? Tem um apelido e uma imagem. Mas tem algo a dizer
ou mostrar? Novos verbos: postar e tuitar. Chuva de ‘curtir’, ‘compartilhar’ e
‘me segue que eu te sigo’.
E onde está a interação? Para quê tanto esforço em criar uma
imagem que não leva a nada e a ninguém? Não soma e não avança. Somos resmungos
sociais. Balaio de reclamações uns dos outros. Rasgação de seda quase como
troca de favores.
Estou isenta de culpa? Não. Sou parte do grupo dos
conectados. Sinto falta da rede. Faço minha autocrítica e não me poupo. Só acho
que não faz sentido tanta conexão e, ainda assim, permanecermos isolados.
