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sábado, 4 de outubro de 2014

A tribo

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Surge uma nova tribo no infinito deserto virtual. Eis-me ali. Postada sob a forma de avatar, que é a forma que eu quiser e não a de como sou. Andarilha, nômade em um camelo de megapixels, percorro o caminho óbvio. 

A tribo move-se rápido. Muda o acampamento tão logo esgote o oásis. Mas não há paraísos, é tudo areia. Tudo é grão que se esvai no assunto do momento, na foto mais comentada, na pauta de bobagens.

E quando a tela descansa, finalmente temos paz.

domingo, 26 de agosto de 2012

Me segue que eu te sigo... e te esqueço!


Não entendo o comportamento humano. Mas passo muita parte do dia tentando entender, embora não seja profissional da área. Quando o assunto é gente, tudo é paradoxo, complexo, absurdo ou efêmero. Agora, joga aí a tal da rede social.

Tudo começa com um nick. E já vem a bizarrice por aí. Tem de tudo: do Batman até o Thyaghinho23. Claro que existem os apelidos simples. Mas a normalidade não é aqui o foco.

Próximo passo é escolher a imagem. O superestimado avatar (porque chamar simplesmente de imagem não é coisa de gente conectada). Tem que ser uma imagem que transmita uma mensagem. Que te mostre como um ser legal, divertido, bonito, inteligente, perspicaz, estiloso, misterioso, seguro, sexy, invencível, indestrutível e inoxidável! Não conseguiu uma imagem sua assim? Vai de foto de alguma celebridade que, só na sua mente, parece muito com você ou com que você gostaria de parecer. Vale personagem de desenho animado, de filmes e vale fingir despretensão.

E agora? Tem um apelido e uma imagem. Mas tem algo a dizer ou mostrar? Novos verbos: postar e tuitar. Chuva de ‘curtir’, ‘compartilhar’ e ‘me segue que eu te sigo’.

E onde está a interação? Para quê tanto esforço em criar uma imagem que não leva a nada e a ninguém? Não soma e não avança. Somos resmungos sociais. Balaio de reclamações uns dos outros. Rasgação de seda quase como troca de favores.

Estou isenta de culpa? Não. Sou parte do grupo dos conectados. Sinto falta da rede. Faço minha autocrítica e não me poupo. Só acho que não faz sentido tanta conexão e, ainda assim, permanecermos isolados.