quinta-feira, 5 de julho de 2012

Um minuto para os comerciais!


Aberta a temporada dos senhores de chapéu na mão. Ano de eleição. Salve a democracia! Mas salvem-na, principalmente, desses tais senhores.

Falam em avanço, falam em transparência e falam demais, sem nada a dizer. O circo está preparado e o pão assado na fogueira das vaidades.

Alguns dias nos distraem com a bola rolando, em outros dias, um novo escândalo. Na calada da noite se fazem as leis que aumentam os salários daqueles senhores. E o povo dorme! No dia seguinte, uma pílula de placebo no noticiário da tv.

A culpa é deles! Mas não seriam tais senhores representantes do povo? Também são povo. Ou somos todos assim, ou somos apenas covardes acomodados placidamente no sofá assistindo outro capítulo da novela.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Da Influenza

Tenho me preocupado com opiniões. Uma opinião que é minha, quando externada já não me pertence. Não tenho o domínio, não posso mais a submeter ao confinamento da minha mente. 

É quase como um vírus. Pode virar uma epidemia ou morrer sem ninguém notar. Influenza. Opinião não deveria ser a mãe da discórdia, da confusão. Tão pouco deve existir uma opinião sobre tudo. Reservo-me o direito a não opinar sobre várias coisas, pura e simplesmente porque desconheço. 

Tenho desconfiança nesta tal sabedoria embutida vendida a rodo pelos que opinam sobre tudo. Por vezes, estou do lado de lá, metralhando a mente alheia com o meu modo de pensar. Depois, paro e acho feio. Ressaca da opinião. 

E tantas pessoas agredidas assim! Porque alguém usou mais do que a liberdade de expressão e encontrou parceiros no"achismo". O que um grupo pensa, vira arma. Cabe a mim decidir se serei mais uma pessoa a puxar o gatilho. 

Opinião que não serve para construir, é o que se vê pelas esquinas. Contamina, passa de um para outro sem demora. É água poluída matando mais que apenas a sede. Evito.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Amor em desuso

Foi comprando o último par de sapatos que me veio a questão: transferência de titularidade do sentimento. Ando tão cheia de alguns sentimentos que gostaria de poder transferir a outrem.
Sinto-me sem tempo para todo este sentir em vão. Porque nada é mais inútil que ter um sentimento que não vai para ninguém. Feito aquele sapato que, talvez, vá ficar esquecido na caixa por um longo tempo. Um dia, no meio de um surto de Amélia, farei a faxina que vai decidir o destino do sapato: ainda meu ou de outro alguém.
Assim vejo o que vai em meu coração. Um amontoado de amor sem uso. Então, seria bom poder fazer o inventário do que sinto e transferir a quem lhe dê melhor destino. Preferiria compartilhá-lo no abraço, no beijo, no olhar do meu amado. Mas, o amor que não amo precisa de outro lugar para morar que não seja na caixa de sapatos.

sábado, 12 de maio de 2012

Ausência

De repente você se pega sentindo falta daquela pessoa. Depois de um bom tempo! Um tempo que, dizem por aí, é suficiente para esquecer.
De repente a ausência fica grande. Quase gigante a te devorar!
Eu sinto ausência. Todos os dias e a cada dia mais. Eu não disse o quanto sentia, nem o que me cabia na desculpa. Eu disse o amargo, o que era fardo. Nem era o que realmente ia em mim.
Gostava de falar, de ter assunto, ainda que inútil, mas sempre tinha o que se dizer.
Sinto saudade. Sinto o que achei que fosse fácil sobrepor. Não deveria sentir, dizem por aí. Mas, dizem muitas coisas por aí, e meu coração eu nunca ouvi.
Não tenho voz. Eu tenho saudade. Talvez daquela afinidade, da vontade, da amizade. Eu sinto a falta. Nenhuma correspondência. Não é para mim como tem sido para o outro lado. Por enquanto, apenas ausência.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Todas somos um pouco Dorothy

Eu já fui a garotinha brincando, de pés descalços na rua. Eu já tomei banhos de chuva. Fui travessa, marota... garota.
Um dia encontrei uma certa mulher. Tinha um olhar cortante que desafiava sem nada dizer. Cabeça erguida sustentada por ombros muito decididos. Ela sabia, simplesmente sabia-me. 
Tive medo dela. Às vezes, apenas medo.
E a brincadeira parou. A rua ficou vazia. Então eu pude ver.
No início era sombra, borrão de imagem, confusão talvez.
Mas ela veio até mim. E, no espelho, entendi. Não era ela, era eu ali. 
De repente, fiquei apenas lembrança de mim. Foi-se a menina. Ficou a mulher.