O que é o amor se não um cheiro de chuva ao fim de uma tarde de verão?
O que é o amor se não o devaneio do poeta ou o sopro da infância?
O que é o amor se não a foto na estante e a lágrima no rosto?
O que é o amor se não o arrepio na pele ardente?
O que é o amor se não o verbo na primeira pessoa do plural?
O que é o amor se não a incerteza das horas que anunciam a manhã?
O que é o amor se não um amontoado de instantes?
O que é um instante na vida de quem ama?
E a vida de quem ama, não seria apenas um breve instante no oceano do tempo?
E, sendo tudo tão breve, tão momento, não seria o amor apenas esperança?
Pois que seja lapso, que seja eterno, desde que seja amante.
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