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sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

O Brinde



Quero fazer um brinde às pessoas perfeitas.
Às que nunca erraram o erro que cometi.
Às que vivem no andar de cima da existência.
Àquelas de dedo em riste.
Simplesmente um brinde a quem é maior, melhor e absoluto.
Que bússola moral incrível, de medidas precisas sobre a vida do outro!
Um brinde a quem sabia exatamente o que fazer!
A quem tinha as palavras exatas.
A quem pertence "se fosse eu..." e "se você tivesse feito isso ou aquilo...".
Que o Olimpo receba a quem nunca passou pela encruzilhada que você travou, a quem nunca tropeçou nas duras pedras que você encontrou e a quem jamais perdeu a luz no meio do caminho, mas, principalmente, a quem tem resposta para toda dúvida que te assolou.
A estas pessoas especiais, que a sabedoria infinita que alcançaram permaneça sempre ali... em seus próprios umbigos.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Grandes Bobões do Universo


Então você passa a conviver com uma pessoa que te causa admiração em grau máximo. Você quer ser assim, se espelha e anota mentalmente cada palavra dela. Pois tudo é sabedoria e tudo é bom. Os dias passam e o convívio ainda é visto como uma dádiva. Dá flagrante em si mesmo agradecendo aos céus por tamanha oportunidade de ser aprendiz de alguém que só você enxerga meio que sendo o Mestre dos Magos.

Leva um tempo para começar a aparecer as primeiras nódoas na magnífica convivência. O que você faz? Saca dos bolsos um punhado de pequenas desculpas para amenizar os sintomas da pré-desilusão. É que a pessoa dormiu mal, acordou mal, está com fome, brigou com alguém em casa, está com problemas no banco, está com dor de dente, com dor de cabeça, em um bad hair day, etc.

De repente, você descobre seu incrível potencial para justificar loucamente aquilo que, para os outros meros mortais, é óbvio: aquela pessoa não é real. Há alguma coisa refletida nela que fica distorcida, confusa e embaçada. Não era a pessoa, era o seu modo de olhar para ela.

E acontece assim, sem hora marcada e nem dia previsto. Sem aviso de perigo. Você simplesmente explode. Detona a dinamite da decepção e joga no ar estilhaços de mágoa. “Como pude me enganar tanto assim?” – repetindo como um mantra. A pessoa não te entende, muito menos você consegue se explicar. A admiração do aprendiz vira frustração. Enquanto o mestre pensa consigo mesmo: Criei um monstro! Passam-se os dias, aumenta-se a distância. Mas, indiferente a toda essa confusão, segue girando a roda da vida. Segue girando o mundo.