quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

ENTER (linhas)

No aguardo da chuva para um dia abafado, revirei alguns sites de notícias para aquela atualização rotineira. Os mesmos fatos narrados das mais diversas maneiras. Fotos de tragédias em todos os ângulos possíveis. A narração da desgraça alheia.

Em 1 minuto de uma rápida passada de olhos fiquei sabendo que a atriz Fulana de Tal foi passear com o cachorrinho na praia. Notícia destacada na página como se fosse imperioso à nação saber do acontecido. E aquele astro da música "flagrado" aos beijos com a namorada em um simples jantar no restaurante. 

Penso no público faminto por esse tipo de novidade. Gente que precisa de anestesia diária para esquecer que a conta da luz está atrasada por que o governo autorizou a criação de algum imposto novo e quem paga o pato é, justamente, quem acha que é irrelevante saber disso.

Em link chamado "mulher" encontro maravilhosas dicas sobre educação dos filhos, maquiagem, uma nova técnica de depilação e o que será tendência na coleção outono/inverno. Sem falar na disposição para lançar matérias do tipo "como ser feliz no amor" e "o que os homens não gostam nas mulheres". 

E eu queria saber como vai a economia, a saúde, as mudanças nas regras da sociedade, até mesmo sobre a previsão do tempo. Mas o que eu buscava estava no rodapé, em fonte nº 10, sem foto alguma.
Mesmo mudando a página, indo a outro endereço eletrônico, nem os ditos renomados jornais ou revistas, permanece a exposição do banal. E como vende a frivolidade! Como se comentam os fatos irrelevantes!

Aliás, em meio à montanha de lixo noticioso, percebo o árduo trabalho de selecionar e reciclar os acontecimentos. Não bastasse ter que selecionar o que é realmente relevante, ainda é preciso filtrar bem a informação, retirar as tais impurezas de opiniões obtusas. Depois, você percebe que tudo parece apenas repetição. Mas, insistindo, vou ao próximo click em busca do novo.

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